domingo, 30 de novembro de 2008

A soltura do Duque

O importante é que se tenha feito justiça e que o meu nome tenha ficado limpo de qualquer suspeita de Benfiquismo! - dizia o Duque de Alvalade à imprensa à saída dos calabouços.

De facto ao fim de duas semana de buscas, a Duquesa conseguira finalmente encontrar no sotão o primeiro cartão de sócio do Sporting obtido pelo marido quando tinha 12 anos.
Apesar de danificado pelas muitas décadas decorridas, o cartão era a prova necessária e suficiente para o ilibar da suspeita de ligação aos No Name Boys e possibilitou que o Duque tivesse de imediato soltura.
-Agora vou escrever um livro sobre a minha experiência no cárcere, onde vou aproveitar para falar também sobre o escândalo que foi a nacionalização da minha loja de atoalhados! - acrescentou ufano.
Os jornalistas entreolharam-se perplexos.
-Então não lhe disseram? O Comendador desistiu de nacionalizar a sua loja!
Pois, parece que a Comendatriz decidiu que ficar com o establecimento do Duque iria causar “mais transtorno que rendimento” e por isso proibiu o Comendador de proceder ao confisco.
O Duque estava realmente radiante. Só faltava despedirem o Paulo Bento ... e mesmo isso não devia tardar.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Os Marqueses e a aviação civil

-Está-me a dizer que partiram sem nós?

O Marquês olhava com ar surpreendido para a funcionária da Tchechénia Airlines que arrumava o balcão do check-in.

-Sim. Eles ainda esperaram 50 minutos na pista porque a agência de viagens tinha avisado na reserva que eram os Marqueses do Rego mas depois tiveram de partir porque já haviam muitos passageiros furiosos a gritar ameças em árabe dentro do avião.

-E agora como é que vai resolver o problema?

-Eu não tenho culpa, os senhores é que chegaram duas horas mais atrasados do que é habitual!

-Não nos está a avaliar, pois não? – disparou de imediato a Marquesa enquanto se colocava em postura de manif – Você precisa é que lhe cortem o rabo e duas orelhas, tal como vamos fazer à Ministra!

A funcionária mediu os prós e os contras. Estava treinada para lidar com terroristas por isso sabia como enfrentar ameaças mantendo a calma e uma atitude cooperante.

-Bom, eu sugiro um transporte alternativo. O cacilheiro, por exemplo...
-Mas nesse caso vai ter de nos devolver o valor dos bilhetes!
A funcionária abriu relutantemente a carteira e tirou uma nota de 20€ e duas moedinhas de euro.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Greve! Não sou menos que os profs ...

Alguns já se deram conta que há mais de uma semana que foi interrompida a corrente de posts que tenho vindo a escrever regular e religiosamente neste blog durante meses a fio.

A razão é simples. Não escrevo porque estou em greve.

Não sou menos que os profs, por isso também tenho direito a protestar. Então vocês achavam-se no direito de me avaliar?
De dizer que os meus posts deste mês eram "coisa-e-tal pró fraquito"? Que nós, os dignos escribas deste espaço, não podemos todos ser considerados excelentes no nosso mister?

Isso é que era bom! Temos a nossa dignidade e auto-estima que não devem ser ofendidas por juízos de valor de terceiros.

Eu ainda pensei em fazer uma manif como os dos profs, tipo "entre o Piquenicão e Woodstock de S.Martinho" mas infelizmente não tenho familiares e amigos em número suficiente para organizar um tal evento. Por isso fui prá greve.

Além disso, acho muito bem tirar uma semanita, chamemos-lhe não-lectiva, para preparar as minhas próximas intervenções neste espaço - que sairão certamente beneficiadas por este período sabático.

domingo, 16 de novembro de 2008

Ultima hora: Duque encanado!

-Olhe Sr. Comendador, não consegui resolver nada. Dizem que antes de 2ªfeira não o vão soltar.

O Visconde da Ponta Delgada estava desanimado porque pensara que conseguia resolver o equívoco que levara o Duque para trás das grades.

-Ele teve azar porque andou a festejar a vitória do Leixões, em ceroulas, no mesmo dia em que prenderam os fulanos dos No Name. E parece que a polícia até estava a acreditar na história dele mas no entretanto receberam pelo rádio as instruções para engavetar os da claque que andassem metidos com drogas. E é claro que ele parecia suspeito.

-E a Duquesa já sabe?

-Já. Vai agora a caminho da esquadra com uma canjinha para o Duque e o cartão do Sporting para ver se consegue convencê-los. Mas tenho dúvidas...

-Porquê?

-Porque ele não tem as quotas em dia. Não paga desde que chegou à conclusão que o futebol anda podre.

Sporting - 0 Leixões - 1

É inegável que O Duque de Alvalade tem tido um existência atribulada. Este episódio da nacionalização da loja de atoalhados até foi apenas o culminar de um ror de muitas outras contrariedades que já aqui tivémos oportunidade de abordar.
Assim, compreende-se que fique totalmente eufórico sempre que o futebol lhe proporciona um pequena alegria, como foi o caso deste último Sábado - que ficará para sempre marcado na memória do Duque.
Já eram 3 da manhã de Domingo e ainda o Alvalade circulava pela Lapa envergando ceroulas e um cachecol vermelho e branco, cantando a plenos pulmões para gáudio de alguns moradores e enfurecimento de outros.
-“Oh Senhor de Matosinhos, Oh Senhor da Boa-Hora…”
Inevitavelmente, acabou por ser abordade pelas autoridades que lhe fizerem ver que chegava de comemorar a vitória do Leixões sobre o Sporting e que já eram horas de ir dormir.
-Os bons chefes de família devem dar o exemplo! – dizia o polícia com um benévolo sorriso de cumplicidade befiquista.
-Bom chefe de família, eu? Não me ofenda! Eu sou sócio do Sporting desde os 12 anos!
-E comemora a derrota do Lagartame?!?!
-Não! Comemoro a vitória do Leixões.
-Pensava que que era exactamente o mesmo.
-À primeira vista, sim. Mas de facto são fenómenos separados. A vitória do Leixões permite-lhe continuar à frente do Campeonato, senão o Benfica ainda os ultrapassava…
-Homem, você não é do Sporting, é mesmo é anti-Benfica!
-Exactamente! – exclamou o Duque com o coração cheio de alegria.
É bom sentir-se compreendido...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Loja do Duque foi nacionalizada!

-Senhor Duque de Alvalade, informo-o que em reunião com o meu staff do Principado da Comenda ficou decidido que iríamos nacionalizar a sua loja de atoalhados – disse com gravidade o Comendador de Azeitão.

-Desculpa lá, Tony. Não se ouve nada. Podes ligar para o fixo?

O Comendador repetiu a frase 3 vezes até que finalmente o Duque a conseguir compreender. O Alvalade demonstrou-se de imediato chocado com a iniciativa que apelidou de vil ataque à inicitiva privada, ao empreendedorismo e às PME.

-Temos vindo a acompanhar com apreensão a sua contabilidade e concluíamos há muito que a sua loja tem actividades clandestinas que a podem levar à falência, o que poderia arrastar todo o centro comercial. Por isso nacionalizamos o establecimento e nomeamos como gerentes o Maioral e o Capitão-Donatário que são homens da nossa confiança.

-Mas eu não tenho actividades clandestinas! Está tudo dentro da Lei. E tenho bons rácios de solvabilidade!
-Sabemos tudo sobre as suas operações clandestinas no off-shore das Berlengas. O Capitão-Donatário quando andou por lá à pesca detectou tudo e além disso temos registos da Via Verde que provam as suas idas e vindas regulares a Peniche. Portanto tê-mo-lo agarrado!

E acrescentou com doçura:
-Mas se quiser pode sempre recorrer para o Supremo de Azeitão. A Presidente é a SAR a Princesa da Comenda.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Drama pungente!

Este mês, a terceira foto concorrente é realmente dramática.

Relata um dos dos muitos perigos sofridos pelo Capitão-Donatário (D. Natário para os monárquicos e Natinhas para os amigos) enquanto andou pelo mundo em seus misteres de cavaleiro andante, salvando criancinhas, donas e donzelas em situações de apuro.

Neste caso, a imprudência e amadorismo de um terceiro quase redundavam em mais uma tragédia.

Vá lá, que o Natinhas é ligeiro a dar ao pedal....

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Mais uma candidata!

De facto trata-se de mais uma imagem concorrente ao certame da foto do mês!

Para os observadores mais atentos não será difícil de perceber que a Duquesa da Alvalade não está própriamente jovial, como aliás seria próprio de quem detém o estatuto de gaiteira-mor do Principado da Comenda.

A palavra mais adequada para descrever o seu estado de espírito, será horrorizada ou mesmo furibunda. Ou talvez uma mistura de ambas...

E a questão que se coloca, e que vos colocamos, é simples:

O que terá o Duque feito desta vez?

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Concorrência dura


-Boa tarde Sr. Antunes, como vai o seu casamento? – Perguntava o Visconde da Ponta Delgada.
Eram 9h da manhã de 2ªfeira em Freixo de Espada à Cinta e o Visconde iniciara pontualmente a sua semana de trabalho com um “tour” de prospecção de mercado no interior norte.
A sua empresa de aconselhamento matrimonial era um negócio de sucesso. Durante os últimos anos tinha conseguido crescer dois dígitos todos os anos mas a perspectiva de crise generalizada preocupava o Visconde que sabia que muita clientela iria optar por soluções mais baratas, rápidas e simples do que o seu aconselhamento.
O próprio divórcio-simplex recentemente aprovado também não ajudava em nada a indústria do aconselhamento.
Perante este mais que certo encolhimento do mercado, o Ponta Delgada optou por entrar em novas geografias. Primeiro o interior e a seguir a internacionalização.
Com o sol suave da manhã a bater-lhe nos olhos, o velhote respondeu pausadamente:
-O meu casamento não me apoquenta há mais de 10 anos, por isso não preciso de aconselhamento.
-Temos então um caso de matrimónio feliz? – Perguntou o Visconde visivelmente decepcionado.
-Não, de viuvez alegre e bem planeada. Espetei-lhe com 605 Forte na sopa de hortaliças e foi uma limpeza – dizia o octogenário, deixando o conselheiro matrimonial completamente chocado.
-Realmente– pensava o Visconde - não há mesmo condições para concorrer neste mercado...

Nós konségui!

A Viscondessa da Ponta Delgada chegou a casa derreada. As últimas semanas na América tinham sido extenuantes mas proveitosas.
É certo que não ganhara a eleição mas aprendera muito e estava agora em condições de iniciar uma carreira política na sua terra.
De facto, até tinha planos já bem avançados. Iria começar por concorrer a Presidente da Junta de Freguesia que era um cargo modesto mas que dava quase a garantia de que entrava na política logo a ganhar. E para esta certeza contribuía em muito o conhecimento das avançadas técnicas de propaganda eleitoral que obtivera nos States.
No mesmo dia em que chegou, a Viscondessa começou de imediato a praticar os seus discursos políticos “à americana” em frente do espelho do guarda-vestidos. Com olhar vencedor e arreganhanhado os beiços, bradava com furor:
-Meuzirmão, chigou a hora di mudanssa! Nós konsegui! Nós konségui!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Escassezes

Cê éFe Bi, recém chegado ao encontro, estranhou o ar triste dos amigos que reunidos à volta da mesa se lamentavam uns para os outros.
- Então há algum problema ??
- Falta-nos a pica ... – responderam em uníssono com ar desolado
Ele hesitou um pouco e, como habitualmente, tentou evidenciar-se
- Pois a mim, não só me falta essa como ...
(fez uma pequena pausa para criar algum suspense e completou)
... também me falta uma cedilha !

Falta de pica

-Falta-me a pica! - dizia o Capitão-Donatário com ar desgostoso, enquanto abria a ementa.

-Pois a mim também – acrecentava o Duque de Alvalade
– deve ser do exercício físico na bicicleta que me deixa muito fragilizado.

-No meu caso deve ser da dieta anti-colestrol –
confidenciava o Marquês
– Eu até estou proibido de comer as carnes mais saborosas...

-Eu cá é das longas viagens de carro – rematou o Visconde que agora andava por todo o país devido ao sucesso imparável da sua actividade de conselheiro matrimonial – Tiram-me o apetite!

-E depois à noite já não apetece comer nada.

-Eu é só uma sopinha e vou logo fazer ó-ó, até dizem que é o mais saudável!

-De facto. O nosso Comendador disse-me que a ele até foi o médico que lhe recomendou.

-Claro, está provado científicamente...


sábado, 8 de novembro de 2008

Sim, vamos voltar!

Nada como uma ausência prolongada para espicaçar o interesse do leitor!
De facto, durante as últimas duas semanas, a inactividade deste espaço provocou um grande aumento do número de visitas.
Os mal-intencionados dirão que a audiência prefere o nosso silêncio mas nós queremos acreditar que as numerosas visitas se devem à grande ansiedade do público que espera a todo momento pelo novo post.
Por isso, e sem mais delongas, lançamos desde já o novo concurso de foto do mês que é sempre um momento muito apreciado por todos.
O primeiro candidato é o Marquês do Rego e a temática é bem actual. Espero que gostem!