terça-feira, 11 de novembro de 2008

Concorrência dura


-Boa tarde Sr. Antunes, como vai o seu casamento? – Perguntava o Visconde da Ponta Delgada.
Eram 9h da manhã de 2ªfeira em Freixo de Espada à Cinta e o Visconde iniciara pontualmente a sua semana de trabalho com um “tour” de prospecção de mercado no interior norte.
A sua empresa de aconselhamento matrimonial era um negócio de sucesso. Durante os últimos anos tinha conseguido crescer dois dígitos todos os anos mas a perspectiva de crise generalizada preocupava o Visconde que sabia que muita clientela iria optar por soluções mais baratas, rápidas e simples do que o seu aconselhamento.
O próprio divórcio-simplex recentemente aprovado também não ajudava em nada a indústria do aconselhamento.
Perante este mais que certo encolhimento do mercado, o Ponta Delgada optou por entrar em novas geografias. Primeiro o interior e a seguir a internacionalização.
Com o sol suave da manhã a bater-lhe nos olhos, o velhote respondeu pausadamente:
-O meu casamento não me apoquenta há mais de 10 anos, por isso não preciso de aconselhamento.
-Temos então um caso de matrimónio feliz? – Perguntou o Visconde visivelmente decepcionado.
-Não, de viuvez alegre e bem planeada. Espetei-lhe com 605 Forte na sopa de hortaliças e foi uma limpeza – dizia o octogenário, deixando o conselheiro matrimonial completamente chocado.
-Realmente– pensava o Visconde - não há mesmo condições para concorrer neste mercado...

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