quarta-feira, 30 de abril de 2008

Marquês apresenta 2ªvia

O Marquês do Rego preparou um 2ª via do seu perfil para enviar para a sede do PSD, acompanhada de extensa missiva suportando o seu propósito de se candidatar a Presidente do dito Partido.
A sua principal preocupação é explicar o seu percurso político para que durante a campanha não o venham confrontar com episódios passados mais ou menos embaraçosos.
Na carta de apresentação, o Marquês recorda que Durão Barroso e diversos outros dirigentes do PSD também andaram por quadrantes ideológicos bem diferentes durante a sua juventude.
Contudo, assegura ele, nunca foi anarquista porque sempre lhe pareceu uma opção "pindérica, com pouco glamour e totalmente incompatível com as suas já antigas aspirações de liderança".
No seu programa eleitoral o Marquês destaca a alteração semanal da hora legal vigente: os relógios passariam a atrasar 1 hora todas as 6ª feiras, evitando a muita gentinha chegar atrasada aos seus compromissos.
E o resto se verá porque ainda há tempo até às eleições!

terça-feira, 29 de abril de 2008

A dança dos títulos

O Capitão-Donatário decidiu mudar de título.

O facto de vivermos em República tem algumas coisas interessantes e uma delas é o facto de que os títulos nobiliárquicos são quase como a presunção e àgua-benta, isto é: cada qual toma os quer - pelo menos desde que estejam livres.
Portanto, nada impediu o nosso valente Donatário - que tanto tem sofrido nas Berlengas - de se auto-proclamar também senhor destas ilhas, adoptando por isso o título de Capitão-Donatário de Massamá, Berlengas e Farilhões, Senhor da Navegação e da Pesca de Aquém e Além-Mar e Mestre-Mor da Arte de Rastejar em Altitude.
Para os seu arredios colegas da faina ele continuará sempre a ser muito simplesmente o Natário, ou mesmo Natinhas para os mais intímos.
A Condessa de Leça do Balio, sabendo da novidade, não quis ficar atrás e de imediato alargou o seu título para Condessa de Leça-Vialonga, Protectora do Malte e do Lúpulo a Norte e Sul da Lusitânia e Mestre da Imperial, Fino e Caneca.
O Comendador já desvalorizou estas iniciativas, afirmando com desdém que os neo-titulados não passam de fidalgos de subúrbio com mais peneiras que pedigree.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Jogadas de bastidor na corrida à liderança

-Achas que avance? Tu apoias-me? Dizia o Comendador ao Visconde da Ponta Delgada.
-Podes contar comigo e com todos os Viscondistas das ilhas. Eu também fui convidado mas nunca iria concorrer contra ti que és o líder carismático e natural ...
-E parece-te boa ideia que convide o Duque de Alvalade para Presidente da Mesa do Congresso?
O Visconde levou os trinta minutos seguintes a demover o Comendador, explicando-lhe que o Duque talvez fosse também candidato e que o mesmo se passaria certamente com o Marquês e o Capitão-Donatário.
O Comendador ficou de rastos pois sempre contara como apoio da alas Marquesista, Capitanista e Duquista. Assim a coisa ia ser mais difícil.
Por uma questão de confiança teria de nomear gente da Quinta da Comenda: a Comendatriz para a Mesa do Congresso, o Maioral para Presidente do grupo Parlamentar. Só não tinha cargo para o Ervilha, que chatice...
O Visconde, do outro lado da linha, sorria de orelha a orelha enquanto ia organizando mentalmente a sua própria lista de candidatos.

domingo, 27 de abril de 2008

O Duque, o dilema e o bagaço...

Já era o terceiro bagaço que o Duque de Alvalade bebia com o cafézinho da manhã.
A funcionária do quiosque olhava apreensiva e não tinha dúvidas que em breve aconteceria algo de dramático ao Duque.
Conhecia-o relativamente bem pois era um cliente regular desde que abrira a sua loja de atoalhados no Forum Azeiteiro e achava-o até um indivíduo pacato e cortês cuja única particularidade era por vezes aparecer a espumar pela boca à 2ª-feira quando os resultados do futebol não eram de feição. E no entanto desde há alguns anos jurava a pés juntos que não seguia o futebol... embora continuasse a espumar....
Mas hoje o Duque perdera o controle de si mesmo. Passara a noite em claro a matutar no dilema que tinha pela fente: deveria aceitar a liderança do PSD como lhe fora oferecido quase de bandeja ou continuava a procurar o lugar de treinador que tanto ansiava?
A indecisão era total e nem o ambiente sereno da sua lojinha de atoalhados o amainara.
Por isso descarregou no bagaço.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

O cocoruto, a pesca e a liderança do PSD

O Capitão-Donatário estava preocupado.

Os seus colegas da traineira não davam sinais de vida, o submarino tinha partido de volta para Câmara de Lobos e com ele o marujo que fora o único ser humano que vira nos 3 últimos dias. Até o telemóvel gastara a bateria com o envio da mensagem em que se apresentara como candidato a líder do PSD.

Ainda tinha um minhoca que ia sacrificar na pesca de mais algum sustento e felizmente as chuvas dos últimos dias providenciaram-lhe agua potável em abundância por isso teria ainda alguns dias de sobrevivência garantida.

Mas o problema não era esse. O que realmente preocupava o Donatário era a apossibilidade de não estar contactável quando fosse nomeado Presidente do PSD.

Foi então que uma gaviota o bombardeou em cheio no cocoruto.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Carta do Capitão-Donatário ao Zé do PSD

Berlengas, idos de Abril do ano de Nosso Senhor Jesus Cristo de dous mil e outo

Ao mui alto, poderoso e excelente Iosephus Incognitus ab PSD

Eu, o Capitão-Donatário de Massamá e suas adjacências e subúrbios, vos envio de muito saudar.
Encontrando-me nesta terra agreste e arredia perdida no mar Oceano, me mandaram por artes modernas as notícias de vossa busca por um novo Regedor que comande as vossas hostes até às próximas cortes do reino.
Sem embargo, hei por bem confidenciar-vos que vossos três convidados padecem de defeitos profundos e incontornáveis pelo que venho pela presente e sem delongas apresentar a Vossas Senhorias a minha disposição de aceitar o insigne fardo de me colocar à cabeça das vossas desencantadas hostes e as guiar pelos caminhos da vitória.
Sou home de sangue azul, com muita limpeza de mãos e muitos préstimos e valias que já demonstrei quando andei pelas quatro partidas do mundo em serviço da Coroa e busca de minha Moura.

Apresento a Vossa Senhoria os protestos da minha dedicação e venerção,
Capitão-Donatário

Carta do Marquês do Rego ao Zé do PSD

Estimado Zé Incógnito do PSD

Soube por portas travessas que decidiram convidar alguns indivíduos que me são próximos para o lugar de candidato a líder do vosso partido.
Compreendo que as vossas opções de escolha sejam mázinhas mas creio que nenhum dos 3 convidados tem o perfil adequado para o lugar e por isso resolvi apresentar a minha candidatura espontânea.

Agradeço que confiram a superioridade do meu perfil pela imagem anexa.

Atentamente
Marquês do Rego,

Carta de militante do PSD ao Visconde da Ponta Delgada

Estimado Visconde da Ponta Delgada,

Sabemos da sua aptência pela liderança político-partidária a qual muito admiramos.
Contudo vemos com alguma apreensão o surgimento deste seu PDP-Partido Democrático da Perereca de opções centristas que poderá fragmentar ainda mais o eleitorado do Centrão que é crítico para qualquer alternativa de maioria governativa.
Actualmente estamos em fase de recrutamento de novo líder para o nosso partido e as escolhas que se nos apresentam são todas muito mázinhas por isso pensámos em si para o lugar. O mais certo era ganhar com grande avanço, o que daria a todos uma grande alegria.
Quanto ao seu PDP, achámos que o podíamos fundir, passando a ter um PPD-PSD-PDP; parece-lhe bem?

Atentamente
Zé Incógnito
(militante PSD)

Carta de militante do PSD ao Duque de Alvalade

Estimado Duque de Alvalade,

Sabemos da sua aptência pela liderança desportiva, a qual muito admiramos, e conhecemos as dificuldades que tem encontrado para pôr em prática as suas ambições. Pensámos que em alternativa poderia ver com bons olhos uma experiência de liderança política.
Actualmente estamos em fase de recrutamento de novo líder para o nosso partido e as escolhas que se nos apresentam são todas muito mázinhas por isso pensámos em si para o lugar. O mais certo era ganhar com grande avanço, o que daria a todos uma grande alegria.
Sabemos que o lugar de líder do nosso partido não se compara ao de treinador de um dos grandes mas peço-lhe que o entenda como uma fase no seu percurso para o sucesso.

Atentamente
Zé Incógnito
(militante PSD)

Carta de militante do PSD ao Comendador de Azeitão

Estimado Comendador de Azeitão,

Sabemos da sua aptência por todos os tipos de liderança, a qual muito admiramos, e conhecemos as dificuldades que tem encontrado para pôr em prática as suas ambições seja junto dos seus poucos seguidores seja mesmo a nível doméstico. Por isso pensámos que em alternativa poderia ver com bons olhos uma experiência de liderança política.
Actualmente estamos em fase de recrutamento de novo líder para o nosso partido e as escolhas que se nos apresentam são todas muito mázinhas por isso pensámos em si para o lugar.
O mais certo era ganhar com grande avanço, o que daria a todos uma grande alegria.

Atentamente
Zé Incógnito
(militante PSD)

sábado, 19 de abril de 2008

Visconde apresenta Partido Democrático da Perereca à imprensa

-Pere... quê? – Perguntava o repórter da Agência Lusitana
-Perereca. Partido Democrático da Perereca! Foi uma ideia que me surgiu no Brasil onde conheci esses simpáticos animais, confirmava sorridente o da Ponta Delgada.
E se o sapo pode ser nome de portal internet, a perereca também pode ser nome de partido. Eu até acho que a perereca é mais simpática que o sapo.
A brisa morna e húmida corria suave na praça do coreto onde o Visconde decidira falar à imprensa internacional. O correspondente de um diário carioca levantou o braço:
-Máis ó seu Viscondgi, cê sabe o qui é quí perereca também siguinifica no Brásiu?
-Peço desculpa mas não entendi a pergunta porque nós nos Açores ainda não adoptámos o Acordo Ortográfico. E desde já adianto que mesmo que tal venha a acontecer a minha ilha pode recusá-lo.
-E qual o seu projecto político para Portugal e para o concelho de Azeitão?
-Agora tenho de sair mas depois arranjo qualquer coisa para vos dizer. Dê-me o seu contacto.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O Comendador e as amigas - 005


Era inevitável.
Hesitámos bastante mas chegámos à conclusão de que não se pode calar a verdade.

A verdade é um valor básico e nuclear para a nossa sociedade humanista e ocidental e o nosso Comendador, apesar de tudo, não está a cima dela (a verdade).
Assim concluímos que esta foto não poderia ficar de fora, apesar de sabermos que o seu conteúdo pode ser chocante para muitos dos seguidores do nosso líder.

De alguma forma, este era o elo perdido nesta cadeia de fotos de danças do Comendador com as amigas (e amigos).

Berlengas top-secret

Enquanto contemplava com espanto e temor o monstro negro que mordera o anzol, o Capitão Donatário reflectiu brevemente sobre os momentos mais importantes da sua vida e arrependeu-se de seus poucos pecados, preparando-se já para entregar a alma ao Criador e o corpo ao monstro.
Numa última tentativa, ainda gritou: Não me comerás, oh monstrengo!
E foi então que no dorso do monstro, um garboso marujo respondeu em tom mariola:
-Não se preocupe, avôzinho, que não venho com essa intenção!
O Donatário estremeceu mas admirou a coragem do marinheiro que afrontava sem medo o perigo. Ainda lhe disse:
-Co’a breca, estais arriscando vossa vida. Que fazeis aí?
-Eu sou o terceiro-comandante do submarino Varracuda da Frota do Atlântico estacionada em Camara de Lobos.
-E que fazeis aqui nesta desoladas ilhas Berlengas, tão distante de vosso porto de abrigo?
O marujo pigarreou e disse que não podia responder por ser informação classificada.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

O Comendador e as amigas - 004

Este instantâneo é único e precioso.
A sua raridade e valor têm a ver antes de mais com o facto de ser obtido dentro de muros e não ao ar livre que é o habitat natural do Comendador em matéria de danças e bailaricos.
Mas para além da raridade do cenário, a imagem vale pela sua força, sensualidade e expressividade notórias que lhe advêm sobretudo dos vincados contornos semi-eróticos expressos nas faces dos dois executantes.

Isto sim, é arte!

quarta-feira, 16 de abril de 2008

O Visconde já não anda taciturno: ausência era tabu!

O Visconde de Ponta Delgada já tinha comunicado a decisão à família durante as recentes férias no Brasil e agora estava na altura de começar a pôr em prática o plano.
A paixão pela política já vinha de longe e no passado estivera quase a candidatar-se a Presidente da Junta de diversas freguesias açorianas com as quais tem mais afinidades pessoais, mas por diversas razões o ensejo nunca se concretizou.
Agora o plano é mesmo para levar por diante e os objectivos são realmente ambiciosos: O Visconde acaba de anunciar em conferência de imprensa que vai criar um partido político e candidatar-se às eleições legislativas pelo círculo de Azeitão.
Os seus objectivos finais são ainda mais vastos pois, com todos os apoios que já reuniu em diversos quadrantes, o Visconde sente tanta confiança nos resultados que até já disse que ao contrário de Santana Lopes ele sabe que vai ser Primeiro-Ministro e também já sabe quando. Só que não diz a ninguém.
Instado pelos jornalistas a explicar as orientações ideológicas do novo partido, o Visconde não hesitou: é de centro, o mais de centro possível porque assim fico com mais margem de manobra para me encostar para onde der mais jeito.
Quanto às ausências e desaparecimentos recentes, o Visconde explicou que se destinavam apenas a chamar a atenção da imprensa. Nem chegou a sair de casa, a maior parte do tempo esteve dentro do guarda-vestidos para não ser detectado pelo pessoal doméstico.
E quanto ao nome do partido anunciou com pompa e circunstância que seria o PDP - Partido Democrático da Perereca.

O Comendador e as amigas - 003

A imagem é intencionalmente difusa mas plena de significado.
A névoa das terras quentes e húmidas de África traduz-se aqui numa visão quase desfocada do real, o que dá um toque de recato a uma cena que é por natureza intimista.
Para o menos letrados diremos apenas que se trata do nosso líder em mais um animado bailarico africano com uma amiga.
Ao ar livre... está visto.

Informamos também estes espíritos pouco cultivados que a foto é artística e não tem qualquer defeito; se não vêm bem é porque precisam de óculos ou em alternativa devem dar um soco num olho porque assim ficarão imediatamente a ver melhor do outro.

O Donatário, as minhocas e os monstros

Pela manhã do segundo dia o Capitão-Donatário retomou a pesca cheio de motivação com o sucesso do dia anterior. Espetou a sua segunda minhoca no anzol e fez o lançamento com mestria. Não teriam passado 5 minutos quando o mar começou a agitar-se violentamente à sua frente. Uma massa escura de grandes dimensões começou a emergir do oceano para surpresa e até algum temor disfarçado, do Donatário de Massamá.
-Quem sois vós, oh criatura marinha? Certamente haveis tragado minha minhoca mas não penseis que me tragais a mim pois estou armado com minha espada!
Como aparentemente as suas palavras confiantes foram ignoradas pelo monstro, o Donatário acrescentou:
-Mas se quiserdes de boa vontade vos oferto a minha outra minhoca para vossa satisfação. Esperai que a tire para fora de minha armadura, criatura!
O Capitão-Donatário, era homem viajado e conhecedor dos segredos, tradições e mitos dos mares por isso não ignorava a existência dos cachalotes, baleias e outros grandes cetáceos mas nunca se encontrara cara a cara com um deles e não imaginava que fossem de uma tal dimensão.
Contudo, era realmente um monstro de grandes proporções e com uma descomunal barbatana dorsal que se elevava vários metros a cima de àgua.
Se o capitão tivesse melhor vista poderia concluir até que se tratava de um exemplar acompanhado pelos biólogos marinhos pois encontrava-se etiquetado e numerado com o código S146.
No entanto, o Donatário não reflectia sobre as penalidades a que se sujeitam os que pescam espécies protegidas e nem sequer se regozijou por ter finalmente apanhado um peixe de dimensões imbatíveis... Nada disso, ele pansava é que estava cheio de miaufa.

terça-feira, 15 de abril de 2008

O Comendador e as amigas - 002

Aqui o vemos o nosso Comendador em mais um momento de expressão corporal conjunta com uma das suas numerosas amigas.
Tal como no exemplo anterior os dois artistas encontram-se ao ar livre que é como ele mais gosta de praticar desta actividade.
Neste caso será talvez mais fácil identificar a parceira do nosso líder pelo que também nos abstemos de o fazer. Trata-se de uma velha, aliás antiga, colega de danças e bailaricos com quem dá ao pé desde tempos imemoriais.
Atente-se ao pormenor da posição dos dedos do Comendador que se apresentam semilevantados, o que permite uma postura geral de grande elegância e muita suavidade.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Noites das Berlengas

O Capitão-Donatário esteve toda a noite enrolado num providencial cobertor que os colegas da arte piscatória lhe haviam deixado.
Passou a manhã e tarde do dia seguinte com a minhoca de molho na esperança de pescar uma bela dourada das Berlengas, enquanto aguardava ansioso pelo regresso da traineira que o levaria de volta a Peniche.
Mas a sorte não estava do seu lado, e o dia passou lentamente sem que pescasse qualquer dourada. E como a traineira também não chegou, o Capitão preparava-se para dormir mais uma noite em jejum; mas prometeu a si mesmo que no dia seguinte ao pequeno-almoço comeria as duas minhocas que guardava intactas no seu bolso e tentaria apanhar algum ovo de cagarra que houvesse nas falésias para evitar a morte por inanição.
Contudo, enquanto cogitava, a linha começou a a movimentar-se violentamente indicando que algo picara o anzol. E, de facto poucos instantes depois o Donatário encontrou-se na posse de um magnífico robalo de quase 1 kg que de imediato grelhou com mestria e devorou com sofreguidão.
Só ao terminar o respasto se lembrou que perdera uma oportunidade única de se apresentar à sua Moura com um peixe de invejável tamanho.
Pensou contudo que com alguma sorte talvez algum dos colegas da traineira lhe oferecesse um espécime de bom calibre que não lhe fizesse falta.

O Comendador e as amigas - 001

O nosso Comendador é muito dado ao convívio com as amigas.
À primeira vista quem o não conhece até o poderia classificar como um pouco mulherengo. Contudo uma análise mais detalhada e baseada num conhecimento mais profundo da sua praxis leva à conclusão inversa.
Não quer dizer que seja homemrengo, apenas que se integra bem melhor nos círculos femininos que nos masculinos.
E isto também não significa que ele participe em grupos de bordados e tricot ou coisa que o valha. Não senhor! Ele é mais dado à dança, bailado e outras formas de expressão corporal que costuma praticar com suas amigas.
Por isso, iremos aqui recordar alguns dos seus melhores momentos e das suas coreografias mais conseguidas.
Para começar, vê-mo-lo num instantâneo ainda do sec. XX, obtido durante uma inocente dança ao ar livre em Lamego com uma amiga cuja identidade, apesar de tudo, não divulgamos para bem da integridade física do nosso líder.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

O Capitão saiu para o mar!

Enquanto o sol se punha no oceano calmo e sem vagas, a tripulação da traineira movimentava-se na habitual azáfama da saída do porto e o Capitão-Donatário debruçava-se na alheta do barco - de olhos fechados para evitar tonturas - e “deitava a carga ao mar”.
-Tás cum azar do caraças oh D.Natário, dizia um dos mestres, ainda não saímos de Peniche e já ficaste sem o jantarinho, phone-ix!
-Tu bê lá se num sujas mazé o conbéns co bomitado
, acrescentou um velho lobo do mar nortenho, Chega-te à minha beira e agarra nas redes!
Solícito, o infeliz Capitão arrastou-se pelo convés aos solavancos sem conseguir evitar um valente trambolhão que o deixou inconsciente.
Acordou uma hora mais tarde, em terra firme e junto a um grande farol. A seu lado encontravam-se uma cana de pesca, 3 minhocas e um bilhete:
Estimado Natário,
Achámos que para teu bem era melhor esperares por aqui enquanto andamos na faina. De regresso passamos aqui a recolher-te para te levar para Peniche.
Deixamos-te apetrechos de iniciação à pesca porque estas àguas são ricas em diversas espécies e sempre podes ir tentando a sorte.
Até breve,
Patrão Antunes
PS: tu tens um raio de um nome.... nunca consigo escrevê-lo à primeira!
Levantando-se com dificuldade, apoiado na cana de pesca, o Donatário leu de relance uma placa branca próximo de si que anunciava o farol das Berlengas.

O Comendador contra-ataca 2: Comendatriz toma a dianteira

Já que fracassaste a todo o comprimento, vou ter eu de me chegar à frente e assumir a liderança, disse a Comendatriz com um ar decidido. Na verdade não é novidade nenhuma pois sempre fui eu quem mexeu os cordelinhos a partir dos bastidores, adiantou ela em tom de confidência e com um je-ne-sais-pas-quoi de paternalismo.
Explicou de seguida ao esposo que iria ela organizar pessoalmente a Convenção Anual Geral e Alargada Dos Azeitoneiros (C.A.G.A.D.A.) durante o mês de Junho, como forma de realçar o protagonismo dos Comendadores. Até já tinha um SPA em vista que era o ideal para este evento e portando tinha confiança que iria ser uma bela C.A.G.A.D.A.!
Mas a certo ponto da conversa, a Comendatriz levantou-se bruscamente, elevou a voz e ordenou: Tira daí as patas imediatamente! Vai já lá para fora que estás a conspurcar esta sala! Rua! Rua! Rua!
O Comendador estremeceu e de seguida, emocionado e embevecido, viu a consorte conduzir o Ervilha até ao jardim, enquanto ele, sentado no seu sofá, comentava para os seus botões: Que determinação e energia tem esta mulher! Que grande fonte de inspiração para a minha liderança!

terça-feira, 8 de abril de 2008

As ausências do Duque

O Duque não pôs os pés em casa durante todo o fim de semana.
Primeiro passou pela zona das Antas para parabenizar a equipa do FCP pela conquista do “tri”, de seguida apanhou o Alfa para a capital e foi à Luz demonstrar o quão escandalizado se encontrava pelas arbitragens desfavoráveis que tanto têm prejudicado o SLB e ainda deu um salto ao Restelo para pagar as quotas de Abril. Terminou em Alvalade onde foi comer um bitoque de porco no Alvaláxia.
A Duquesa ficou inconsolável com a prolongada ausência do consorte, com o qual contava para a acompanhar a um desfile de moda em Paris, e viu-se mesmo em risco de ter de comparecer sozinha ao evento.
Felizmente lembrou-se que ficara com o contacto de um moço prestável que conhecera na sortida nocturna ao strip e lá o convenceu a acompanhá-la.

Condessa de Leça recebida pelo pretendente ao trono

É mesmo verdade.
A Condessa de Leça do Balio foi recebida em audiência privada pelo pretendente ao trono de Azeitão a quem apresentou cumprimentos e reafirmou a sua convicção e esperança na restauração da monarquia a muito breve prazo.
Instada a fazer uma contribuição em prol do causa, a Condessa não vacilou. Primeiro fez-se de surda como é seu hábito e quando o pretendente já lhe berrava aos ouvidos optou por dizer com dignidade:
-Oh filho tens de ter paciência qu'a vida tá má e custa muito a todos. Se fosse a ti ia mas é falar com o Duque de Alvalade que sempre é mais graduado do que eu. Aliás, como existem mais uns 2 ou 3 pretendentes eu não posso andar a contribuir para todos, senão depois como é que eu comprava as b'jecas?

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Capitão inicia aulas de pesca em Peniche

O Capitão-Donatário viu-se e desejou-se para entrar na traineira devido ao peso da armadura e ao cansaço natural. Levantara-se às 3 da manhã e cavalgara durante 3 horas para chegar a Peniche ao nascer do sol como lhe fora exigido para poder iniciar a sua aprendizagem.
Ao chegar sentiu uma certa frieza na comunidade piscatória, estes homens rijos e pouco tolerantes acharam o Donatário uma personagem no mínimo bizarra não só pelo traje, cavalgadura e linguarejar como sobretudo pelo estranho hábito de rastejar pelo cais com ar apavorado sempre que se aproximava da borda do mesmo.
Por seu lado, o Donatário também se surpreendeu com o facto de àquela hora as traineiras estarem todas a descarregar peixe que fora apanhado durante a noite. Ele esperava começar de imediato a pescar mas por outro lado admitia que a primeira aula fosse de cariz mais teórico.
Só ficou surpreendido quando os mestres lhe deram um balde e esfregona e o mandaram limpar a traineira, desde ré até à proa, e arrancaram para a tasca para beber uns tintos e comer umas febras.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Corrente de solidariedade com o Comendador

A Internet é um espaço fantástico!
Poucas horas após ser divulgado o desaforo subtil com que alguns anónimos ofenderem o nosso Comendador oferecendo-lhe um livro da Florbela Espanca, a comunidade internauta reagiu com indignação e veemência.
Foi criada de imediato uma corrente de solidariedade que conta milhares de membros e que tem mandado inúmeras mensagens por e-mail e SMS ao Comendador, o que decerto o confortou.
Também se fala de um jantar de desagravo a realizar na Quinta da Comenda de Azeitão.
Mas o elemento mais fantástico desta iniciativa é a campanha de recolha de livros para o Comendador que tem sido liderada por pela Condessa de Leça do Balio, também ela uma apaixonada pelas letras – mas que nunca esquece os derivados de cevada.
Pretende-se recolher livros que aumentem a auto-estima ferida do nosso líder e o ajudem a lidar com os seus problemas, como é o caso de algumas obras que já recebeu, muitas delas de cariz científico e que lhe podem sugerir soluções e alternativas para o seu caso:
“Aikido caseiro, aprenda a defender-se!” escrito pela Moura Encantada.
“Técnica da rédea curta” do Prof. Zeman Galho, psicólogo e consultor matrimonial em Quarteira.
“Camuflagem: escondido à vista do predador” da Marquesa do Rego, eminente zoóloga.
“Futebol, caça, taberna e outros escapes à vida doméstica”, um ensaio apresentado pelo Duque de Alvalade quando se candidatou à Academia de Treinadores de Futebol.
“Como atravesssei o Atlântico num caiaque em 90 dias, sem ver vivalma”, do Visconde da Ponta Delgada, um dos maiores navegadores solitários de sempre.
“Guia turístico de Ermesinde”, editado pela Associação das Gajas Boas.
“Poligamia: casos de sucesso na Amazónia” de um anónimo.

A Poesia e a violência doméstica

O Comendador ficou desconfiado com o presente anónimo recebido por DHL no local de trabalho.
Aparentemente era um simples livre de poesia, e ele gosta muito de poesia, não só de a ler mas sobretudo de a declamar e de preferência para audiências numerosas.

Folheou as páginas iniciais e encontrou uma dedicatória escrita numa caligrafia que lhe pareceu ser vagamente familiar. Leu em voz baixa por se encontrar no emprego:

"Caro amigo,
Como te sabemos vítima da mais infame violência doméstica, aqui te enviamos este livro de poesia, género de que tanto gostas, para poderes enfrentar com mais coragem as provações a que és sujeito no quotidiano.
Um abraço de solidariedade do, "

Mas infelizmente a assinatura era irreconhecível.
Fechou o livro e só então reparou no nome da autora: Florbela Espanca.

Formação pesqueira

-Centro de Formação Profissional de Massamá, boa noite. Fala a Vanessa Carina.
-Eu vos envio de muito saudar jovem dona.
-Quê?
-Pretendo iniciar-me nas artes pesqueiras e procuro quem me guie por esse caminho durante as noutes.
-Não percebo.
-Quero lançar rede e fisgar com minhoca mas com vossa ajuda pois até agora não tenho apanhado bons exemplares.
-O que tu queres sei eu!
-Muito me regozijo! Sabeis onde há trutas volumosas na nossa paróquia?
E a linha ficou silenciosa, o que não surpreendeu o Capitão-Donatário que nunca gostara desta modernice das cabines telefónicas.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Foto do trimestre

Com a chegada do mês de Abril, é hora de dar início à muita esperada eleição da foto do trimestre.

Após uma cuidadosa avaliação das inúmeras cadidaturas apresentadas, a organização entendeu seleccionr as três fotos ao lado para a votação final do público.

Poderão votar através da caixa de votação no lado direito. Participem!