segunda-feira, 14 de abril de 2008

Noites das Berlengas

O Capitão-Donatário esteve toda a noite enrolado num providencial cobertor que os colegas da arte piscatória lhe haviam deixado.
Passou a manhã e tarde do dia seguinte com a minhoca de molho na esperança de pescar uma bela dourada das Berlengas, enquanto aguardava ansioso pelo regresso da traineira que o levaria de volta a Peniche.
Mas a sorte não estava do seu lado, e o dia passou lentamente sem que pescasse qualquer dourada. E como a traineira também não chegou, o Capitão preparava-se para dormir mais uma noite em jejum; mas prometeu a si mesmo que no dia seguinte ao pequeno-almoço comeria as duas minhocas que guardava intactas no seu bolso e tentaria apanhar algum ovo de cagarra que houvesse nas falésias para evitar a morte por inanição.
Contudo, enquanto cogitava, a linha começou a a movimentar-se violentamente indicando que algo picara o anzol. E, de facto poucos instantes depois o Donatário encontrou-se na posse de um magnífico robalo de quase 1 kg que de imediato grelhou com mestria e devorou com sofreguidão.
Só ao terminar o respasto se lembrou que perdera uma oportunidade única de se apresentar à sua Moura com um peixe de invejável tamanho.
Pensou contudo que com alguma sorte talvez algum dos colegas da traineira lhe oferecesse um espécime de bom calibre que não lhe fizesse falta.

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