- Após passar o mar dos Sargaços houvemos vento a favor e mar chão e ao fim de 2 dias avistámos estas ilhas onde nunca outros homes haviam estado. Nem cristãos nem gentios!O Capitão-Donatário sentia que tinha captado a atenção da assistência por isso prosseguiu inebriado:
- E posto que navegava com minha Moura e numerosos serviçais, houve por bem lançar ferro por alguns dias para folguedo dos demais e por mor de reparar o cordame e o casco que muito sofrera com borrascas.
Em verdade vos digo, que esta terra que achei no mar Oceano é fértil e mui própria para apascentar gado mas tem grandes mistérios nas suas profundezas pois que em muitas partes jorra de suas entranhas um fumo de cheiro fétido que só pode indicar que o Demo por lá anda à solta.
O silêncio era agora sepulcral. O Donatário aproveitou para dar largas à sua criatividade.
- Mas quis o Senhor que padecessemos grandes tormentos antes de pôr pé em terra firme. Vieram monstros marinhos maiores que embarcações e eu tive de me lançar ao mar para os afugentar. E vieram sereias com seu canto doce mas minha força e temperança ajudaram-me a subir aos altos penhascos para que elas me não pegassem.
Foi então que outro cliente do café se levantou e se dirigiu ao Donatário. Tinha um olhar esgazeado, longas barbas brancas e certamente pouco asseio mas falava com voz possante e segura:
- Eu creio que o estou a reconhecer, você é o Pedro Álvares Cabral! Não se lembra de mim? Sou o Vasco da Gama! Não era o senhor que costumava jogar à sueca comigo, com o Gil Eanes e o Fernão de Magalhães naquela tasca da Avenida do Brasil? Mesmo no cruzamento com a Avenida de Roma!
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