Durante largos anos a Viscondessa da Ponta Delgada nunca deu uso à sua carta de condução. “Não era por nada”, mas realmente achava cansativo ter de carregar nos pedais, rodar o volante e fazer pisca-pisca, por isso preferia deslocar-se de táxi e explicar que não guiava porque as ruas da sua zona eram muito estreitinhas.Foi então que o Visconde, sem saber, lhe estragou o esquema ao oferecer-lhe um elegantérrimo mini-carro dourado da linha Dolce & Bacanna com estofos Verçage. A viatura era um verdadeiro objecto de arte de dimensões adequadas à largura das ruas e à perícia da condutora, isto é, exíguas.
Agora já não havia desculpas para não conduzir, no entanto a Viscondessa continuou a ser maioritáriamente cliente da Autocoop, para desespero do consorte. Mas ao fim de alguns meses, o Visconde - sempre generoso - sugeriu que passasem a usar o mini-carro aos fins-de-semana por forma a evitar que a ferrugem consumisse por completo o bonito exemplar.
Foi por isso que naquela 6ª feira de Agosto o mini-carro cruzou a Vasco da Gama, atingindo pela primeira vez os 120 km/h e obrigando os Viscondes a fazerem uma paragem para - também pela primeira vez - reabastecer o depósito.
Sentado aos comandos do mini-carro, o Visconde sentia os joelhos a baterem nos ombros e o volante espetado na barriga. Suava em bica e sentia cãibras em todo o corpo, mas cada vez que recordava o objectivo da viagem conseguia ainda sorrir!
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