
É inegável que O Duque de Alvalade tem tido um existência atribulada. Este episódio da nacionalização da loja de atoalhados até foi apenas o culminar de um ror de muitas outras contrariedades que já aqui tivémos oportunidade de abordar.
Assim, compreende-se que fique totalmente eufórico sempre que o futebol lhe proporciona um pequena alegria, como foi o caso deste último Sábado - que ficará para sempre marcado na memória do Duque.
Já eram 3 da manhã de Domingo e ainda o Alvalade circulava pela Lapa envergando ceroulas e um cachecol vermelho e branco, cantando a plenos pulmões para gáudio de alguns moradores e enfurecimento de outros.
-“Oh Senhor de Matosinhos, Oh Senhor da Boa-Hora…”
Inevitavelmente, acabou por ser abordade pelas autoridades que lhe fizerem ver que chegava de comemorar a vitória do Leixões sobre o Sporting e que já eram horas de ir dormir.
-Os bons chefes de família devem dar o exemplo! – dizia o polícia com um benévolo sorriso de cumplicidade befiquista.
-Bom chefe de família, eu? Não me ofenda! Eu sou sócio do Sporting desde os 12 anos!
-E comemora a derrota do Lagartame?!?!
-Não! Comemoro a vitória do Leixões.
-Pensava que que era exactamente o mesmo.
-À primeira vista, sim. Mas de facto são fenómenos separados. A vitória do Leixões permite-lhe continuar à frente do Campeonato, senão o Benfica ainda os ultrapassava…
-Homem, você não é do Sporting, é mesmo é anti-Benfica!
-Exactamente! – exclamou o Duque com o coração cheio de alegria.
É bom sentir-se compreendido...