quinta-feira, 8 de maio de 2008

O resgate do Capitão-donatário

O Capitão-Donatário acordou estremunhado, movimentando com dificuldade as suas provectas carnes já semi-liofilizadas pelo efeito do sol e sal das Berlengas. O ruído era ensurdecedor, recordadando ao Donatário o zumbido de dúzias de abelhas; Dúzias não, milhares! Talvez milhões ou até triliões.
No céu ainda acinzentado da manhã recortava-se distintamente uma nave voadora que pairava sobre sobre a sua cabeça. Num reflexo condicionando, o Donatário chegou-se rapidamente para o lado com receio que se repetisse o que sucedera com a gaivota havia poucos dias. Mas neste caso não havia razão para alarme pois do interior do grande ser voador apenas saíu uma longa escada de corda.
"Sorte tendes, oh passaroco! Se houvésseis defecado sobre a minha veneranda pessoa ter-vos-ia acabado com a vida num ápice, pois sou cavaleiro dos mais valorosos e experientes".
"Suba, homem. Não podemos ficar aqui o resto do dia que a gasolina está caríssima" dizia de um altifalante lá no alto uma voz que o Capitão já conhecia.
Não, não era Deus Nosso Senhor que fazia uma aparição nas Berlengas, tratava-se apenas de alguém que o Donatário já vira há uns quantos dias no dorso do submarino, isto é o garboso marujo de Câmara de Lobos.

Sem comentários: