"A gente não quer saber a marca das carteiras, quer saber o que é que estava lá dentro" - dizia o inspector à Viscondessa da Ponta Delgada olhando-a fixamente. Apesar de ter posto um ar de “mas o que é que eu tenho a ver com esta história?”, a Viscondessa estava à rasca. Pensou invocar as suas origens estrangeiras e pedir apoio a um consulado da Comonwealth britânica mas ficou hesitante por não saber exactamente como dizer em inglês “vendedores ambulantes” e “Dolce & Gabana mas da treta”.
A coisa fora complicada. A Viscondessa estava a comprar mais uma malinha Totus na Ford Transit do Lelo quando uma brigada policial “caíu” sobre o local e o Lelo arrancou a toda a mecha com os pneus a guinchar e a mercadoria a cair pelo asfalto no meio de uma poeira branca.
A Viscondessa ainda acenou com a Totus e esboçou um “amanhã logo lhe pago” mas foi coisa de pouca duração pois foi de imediato algemada, enquanto que a Totus era colocada dentro de um saquinho de plástico para análise.
Agora, já nas instalações policiais, a Viscondessa hesitava quanto ao rumo a dar à conversa, até que num momento de inspiração levantou a voz e disse:
-Ai Nou undestanda nácingue. Vai spekar with Consuladation of Scotland. Ól rái-te?
"Pimba que já vos tramei", pensou ela
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