D. Efigénia era uma sobrevivente. Já contava mais de 90 anos e ainda não tinha sido despedida pelo Marquês do Rego.Mas ontem foi apanhada com a boca na botija. O Marquês chegou cedo às instalações, ainda nem onze horas seriam, e encontrou D. Efigénia com um sorriso libidinoso sentada na sua secretária – do Marquês, entenda-se. Ainda a ouviu dizer com voz embevecida: Diz-me coisas porcas!
O Marquês, homem experiente, percebeu de imediato de onde vinham as exorbitantes contas telefónicas dos últimos meses: Era um caso claro de linhas eróticas e portanto D. Efigénia terminou de imediato e sem protestos a sua longa carreira ao serviço do Marquês e seu patrão.
Seria quase uma da tarde quando o Marquês finalmente se sentou e pode satisfazer a sua curiosidade carregando na tecla de repetição de chamadas do seu telefone. Do outro lado, ouviu uma voz vagamente familiar:
-Okay Tele-Susurro, fala o Marto. Em que posso ser útil?
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