sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

A peregrinação do donatário - III

Após três meses no mar alto, acossado pelas faluas do rei de Mombaça e castigado pelas tormentas do Mar Arábico, o capitão de Massamá acabou tragado pelas águas e vomitado na cálida areia do Sinai onde jazeu moribundo durante dois dias.
Foram cavaleiros Mamelucos do Califa que lhe fizeram a esmola de lhe valer em tão grande desespero.
Curadas as chagas, dormiu o capitão por quase uma semana e despertou feliz com o canto do muezin e o som de ferro malhado a seus pés.
Diligente, um serviçal sudanês colocava cadeias de ferro nos tornozelos do capitão e enquanto durou esta prática, o capitão deteve a sua alegria e com gravidade entendeu que o tinham agora cativo e que o seu destino pouco tinha de risonho.
E de facto, no dia seguinte foi vendido por 10 dinares a um beduíno de Tripoli que após longa viagem pela costa do Mediterraneo, o ofertou com grandes mesuras, a uma dona judia de quem obtinha favores carnais.
Esta dona já fora senhora de uma grande formosura e muito cobiçada em toda a Líbia mas agora já tinha mais verrugas que dentes.
Ainda assim, o capitão rogou-lhe a mercê da libertação sob qualquer condição que à dona aprouvesse estabelecer.

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