sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Ausências são rebelião!

O Comendador estava furioso com a ausência de quase todos os convidados para a grande reunião da Ordem da Comenda.
-É uma verdadeira rebelião! Não se cansava ele de repetir em voz alta.
O nosso líder tinha gasto uma pipa de massa a reformular a Sala do Capítulo e agora não ia sequer ter quorum para os Estados Gerais que se arriscavam a ser uma espécie de tête-a-tête com a Comendatriz - uma vez que o Maioral continuava em estado catatónico.
Mas foi então que o Comendador viu a luz.
E viu mesmo! Só um espírito brilhante como o nosso líder podia vislumbrar uma solução desta amplitude para o problema que enfrentava!
Ah!Ah!Ah!Ah, ria ele com gosto.

Visconde na lista dos desaparecidos

O último avistamento do aristocrata insular foi ao largo do Bugio quando se preparava para uma travessia oceânica à vela em direcção à Terra Nova.
Desde então, o Visconde não voltou a ser localizado, o que muito desagradou ao Comendador que o queria confrontar com alguns factos suspeitos durante os Estado Gerais.
O poderoso telefone-satélite que o Visconde adquirira a peso de ouro estava mudo e a
Marinha garantia que nunca lhe tinha apanhado o eco no radar, mas ainda assim fez buscas com helicópetros num raio de algumas dezenhas de milhas e não apareceram vestígios da embarcação...
O assunto comoveu de imediato a opinião pública e chamou a atenção dos media que se apressaram a entrevistar a Viscondessa em directo e em horário nobre.
-É uma tragédia e a culpa é da Ministra da Educação, afirmou perentória. Se as aulas de navegação que ele teve no 9º ano tivessem alguma qualidade, ele estaria mais preparado para enfrentar o mar. Assim, não teve hipóteses, disse apoiando-se em dois rapazes entroncados que a confortavam.
-Então o seu marido teve problemas de aprendizagem no 9º ano?
-Não senhor, ele até era sobredotado, o professor é que apenas deu o primeiro capítulo da matéria e depois meteu baixa devido um ataque de calvície. Como não recuperou até fim do ano já não voltou.
-E que parte da matéria lhe faltou aprender?
-Quase toda. A bem dizer ele só aprendeu a atracar, e apenas de popa.

Finalmente a foto... e o Calor de la Noche

O Duque já jantara e ostentava um olhar guloso, enquanto se encaminhava para o seu rendez-vous nocturno.
Ainda passou os olhos pelas "gordas" da Bola e do Record que anunciavam o Sporting-Benfica do Domingo seguinte mas não cedeu à tentação de comprar ou sequer folhear um dos jornais.
E foi nesse momento que recebeu a mensagem MMS que tanto aguardava:
A sua foto no topo da estátua da rotunda da Bovista, junto ao leão que domina à aguia.

Donatário vai à truta

Também o Donatário não deve comparecer aos Estados Gerais, uma vez que não quer abandonar a Serra sem encontrar a sua Moura.
Preocupado com alguns comentários jocosos relativamente ao calibre da truta que se preparava para oferecer à sua bem-amada, o Donatário resolveu obter ele próprio um exemplar de maiores dimensões.
Assim subiu a Serra até à nascente do Mondego e aí iníciou a pescaria ao som da música dos Village People que alguém lhe tinha dito ser particularmente eficaz para atrair trutas de grande dimensão.


Autoridades safam o Duque

-Oh sô guarda, o seu telemóvel tira fotos?
Pois é, o Duque esqueceu-se que não ia conseguir fotografar-se a si próprio no topo da estátua e o agente da PSP que vistoriava a subida era o único que lhe podia valer.
Ainda pensou em atirar-lhe a máquina fotográfica mas imaginou que o resultado final fosse um monte de cacos. Descer para dar a a máquina ao polícia e voltar a subir seria uma solução mas a forma física do Duque não é assim tão boa que lhe permita duas seguidas; por isso a esperança reside toda na telemóvel do agente da autoridade.
-Tire-me uma fotografia se faz favor! C’o telelé! Depois passa-me por MMS.
O polícia sorriu, pegou no aparelho e gritou: Quem vai ao mar avia-se em terra! Vamos ver se aguenta que a bateria está fraca.
E o Duque teve sorte porque a bateria ainda deu para tirar a foto. Acabou-se foi antes de o Duque a poder ver.
-Logo à noite carrego o aparelho quando for jantar a casa da minha sogra e mando-lhe a foto por MMS. Não se preocupe.
E o Duque suspirou de alívio.

Sultão está incomunicável

O Sultão de Al-Khains está com um problema de comunicações.
Desde que recebeu o novo camelo de 6 lugares com videoconferencia incorporada abandonou todos os outros métodos de comunicação.
Mas agora ficou literalmente enrascado porque foi detectado um defeito de fabrico e o camelo foi recolhido pelo fabricante.
Enquanto não resolvem o problema, deram ao Sultão um jumento de substituição, sem videoconferência nem ar condicionado.
Assim, o Sultão não irá participar nos Estados Gerais.

O Duque de Alvalade no Porto: parte diurna

O Duque chegou ao Porto ao final da manhã.
O tempo de viagem no Alfa foi passado a preparar os pormenores da escalada na Boavista até ao mais ínfimo detalhe. Apenas era distraído por antevisões breves da empreitada nocturna...O projecto parecia fácil de realizar pois nada fora descurado mas mesmo assim, por precaução, não avisara a imprensa para o caso remoto de haver algum precalço...
Tinham sido obtidas autorizações da CMP, da PSP e de mais uns quantos organismos por isso quando chegou ao local e foi interpelado pelo polícia de giro, o Duque pode facilmente exibir a documentação e iniciar a subida.Embora não pareça, o Duque é um rapaz em boa condição física, por isso a subida decorreu sem dificuldades e rápidamente se achou no topo com um sorriso vitorioso.
Agora só faltava a foto, pensou ele enquanto tirava a máquina do bolso.

A verdadeira razão porque o Duque de Alvalade apanhou o Alfa para o Porto

Já na Gare do Oriente, e enquanto esperava o comboio rodeado de equipamento de escalada e alpinismo, o Duque de Alvalade voltava a interrogar-se sobre se seria boa ideia ir ao Porto.
A verdade, é que mal tinha regressado do seu exílio forçado, o Duque de Alvalade ficou intrigado mas também curioso ao ler a missiva que encontrou na sua caixa do correio. Rezava a dita:

Porto, 20 de Fevereiro de 2008
Caro Duque de Alvalade:

Tomei conhecimento da situação em que se encontra. Depois de 18 anos a sofrer com o desempenho do clube, sem nunca esmorecer, é agora perseguido pelo seus pares que recusam reconhecer o seu superior e histórico anti-benfiquismo ? Não há direito !
O futebol só pode mesmo estar podre quando não reconhece os seus mais nobres fiéis seguidores, mesmo que apenas através dos rodapés das notícias, ou do reflexo da imagem da televisão no espelho manchado do café do bairro.
Quero expressar-lhe a minha simpatia e solidariedade, as quais são reforçadas pelo facto de também eu ter sido escorraçada do meio apenas por um simples deslize momentâneo.
Está na hora de reagirmos, pelo que venho convidá-lo para estar presente na reunião fundadora do MEF - Movimento dos Escorraçados do Futebol - a ter lugar no próximo sábado na nossa sede provisória - Calor de la Noche – pelas 3h da manhã.

Carol

PS. Venha mais cedo para assistir ao strip e não se esqueça de trazer dinheiro para as bebidas.

- Não sei que fazer, disse o Duque para si próprio. Por um lado toda a ajuda para ultrapassar a situação desesperada em que me encontro é benvinda, mas... pagar 50€ por bebida...
A curiosidade no entanto era demasiada. O Duque decidiu aceitar o repto.

Cidadão de Fountain Bridge pede escusa dos Estados Gerais da Ordem da Comenda

O Comendador recebeu uma missiva do cidadão de Fountain Bridge pedindo escusa dos Estados Gerais da Ordem da Comenda. Este pedido levou o Comendador a colocar o Cidadão de Fountain Bridge como principal suspeito.
Ainda tinha na memória o bizarro convite que recebera para uma noite gótica numa tenda junto ao Mosteiro da Batalha. Da necessidade que sentira de explicar que o seu coração apenas batia pela Comendatriz e do facto do Cidadão ter arranjado significativa companhia para justificar o apelo à presença do comendador.
O Comendador acabou por anuir, até porque como é sabido, não resiste a estar presente em qualquer lugar que lhe cheire a festarola ou pézinho de dança (de coentrada não é particular apreciador, prefere bitok).
Acabado o evento, o Cidadão tentou a todo o custo levá-lo para sua casa. Conseguiu-o após mais uma (desta vez simulada) quebra de tensão. Chegados a casa ofereceu-lhe uma bebida e começou a lenga lenga do costume. “Que todos têm um título ... Que eu até sou bom rapaz ...Que as crianças na escola são gozadas porque o pai não tem um título”. O Comendador bem lhe explicara que isso dos títulos não é para quem quer, mas para quem pode. O Duque de Alvalade e o seu Sporting que o digam ...
A hora ficou avançada e o Comendador acabou por pernoitar na do Cidadão de Fountain Bridge. De manhã foi tortilha, sumo de laranja natural e um jogo de charme que o Comendador até ficou aturdido, e claro a lenga lenga do costume.
O Comendador apenas conseguiu sair pelas 14 horas e porque invocou um almoço de aniversário de uma das suas muitas afilhadas na casa do Marquês do Rego (essa criança tem um efeito absolutamente dominador sobre o Cidadão de Fountain Bridge).
Agora, com o pedido de escusa, o Comendador estava efectivamente desconfiado. Seria o Cidadão o motor da conspiração que cada vez era mais evidente ? Será que é o Cidadão que quer ser comendador no lugar do Comendador ?
Ou o conspirador será o Duque de Alvalade que parece ignorar a convocatória ao partir para o Porto nas vésperas da reunião ?
O Comendador concluiu: Basta de tanta incerteza ! Está na hora de chamar Monsieur Bob !

OGM: o caso do Capitão-Donatário

Possivelmente passou-vos completamente despercebido mas a truta que ofereceram ao Capitão-Donatário era OGM. É fácil de distinguir uma truta OGM de uma truta genuína que tem uma tonalidade mais acinzentada e um formato diferente de diversas barbatanas.
Claro que muita gente gente não liga às diferenças, o que importa é consumir: é truta ... e portanto marcha! Venha mais!
Esta questão dos OGM é complexa e arrisca-se a ser um dos grandes temas das próximas décadas. Com o crescimento exponencial do número de humanos que consome de acordo com os padrões ocidentais bem podem chover matérias-primas desde cereais para pãozinho e afins até milho para o biodiesel. Para dar resposta à procura será inevitável cultivar África e introduzir OGM por todo o lado. Ou isso ou reduzir a população.
E agora o grande problema: ninguém sabe exactamente se os OGM não terão efeitos secundários a longo prazo. O Capitão-Donatário mesmo sem ter comido a truta (pelo menos é o que parece...) já passou a classificar-se a si mesmo como fêmea em listas para almoçaradas o que parece evidenciar distúrbio hormonal profundo. Será devido à truta OGM?

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Nádegas do Duque estão OK

O Duque de Alvalade já se encontra restablecido da sua aventura nocturna no Zoo. As nádegas recuperam a olhos vistos das dentadas dos felinos, fruto de pomadas milagrosas e de exposição ao ar livre e ao sol radioso deste Inverno lisboeta.
Como homem de acção que se preza já preparou um plano alternativo para o seu projecto de foto com o leão. Na impossibilidade prática de tirar a foto com leões reais sem colocar em risco a sua integridade física, o Duque vai tentar tirar uma foto ao lado de um leão de pedra de grandes dimensões.
Existem dois leões realmente emblemáticos: o do Marquês de Pombal em Lisboa, associado a todo o tipo de vitórias desportivas e o da rotunda da Boavista no Porto que tem a conhecida particularidade de ser representado a derrubar uma águia.
O Duque não hesitou na escolha pois durante toda a vida acreditou que o leão e a àguia da rotunda da Boavista eram realmente os dos dois clubes da capital. Aliás, desde os 12 anos de idade que as suas visitas à Invicta incluem sempre uma romagem a este local onde se detem por uns breves momentos em profundo e emotivo recolhimento.
Portanto, hoje de manhã o Duque ignorou a convocatória do Comendador e foi à Gare do Oriente comprar bilhetes para o Alfa.
Passou de seguida pela Sport Zone a comprar material de escalada e alpinismo.
Desta vez é que vai ser!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Estados Gerais da Ordem da Comenda

O Comendador mandou convocar para este fim de semana os Estados Gerais da Ordem da Comenda.
A reunião terá lugar na Quinta da Comenda de Azeitão e obedece a um protocolo muito rígido apenas conhecido por parte dos iniciados.
Estarão presentes o Visconde de Ponta Delgada, O Duque de Alvalade, o Marquês do Rego, o cidadão de Fountain Bridge, o Capitão-Donatário e o Maioral se recuperar do estado catatónico em que ficou desde a pega em pontas. O Sultão de Al-Khains seguirá a reunião por vídeoconferencia que já instalou no seu novo camelo familiar.
O Comendador convocou esta reunião porque anda deveras preocupado com a contestação à sua liderança e com os rumores de uma insurreição. A sua decisão de retirar os títulos aos dissidentes foi totalmente inconsequente porque o nosso líder não conseguiu determinar quem eram os que conspiravam contra ele.
Outro aspecto preocupante é o do surgimento da Irmandade Anárquico-Azeiteira que anda a deixar mensagens contra a tirania do Comendador por todo o lado.
Mas pior que isso são as estranhas frases escritas com símbolos incompreensíveis. Inicialmente o Comendador suspeitou que sempre existissem extraterrestres em Azeitão mas agora já não tem dúvidas: são mensagens secretas dos revoltosos, talvez mesmo instruções do Irmão-mor para o resto da Irmandade.
Isto anda a tirar muitas noites de sono ao Comendador… ele está convencido que o líder dos insurrectos é pessoa do seu círculo chegado.

O Capitão, a truta e a Moura

Dai-me a vossa truta mais avantajada, disse o altivo Donatário de Massamá ao chegar ao viveiro, exibindo um sorriso de difícil descrição.
Ante o ar desconfiado do funcionário, acrescentou: é para ofertar a uma dona... não evitarei despesas, aqui tendes 3 maravedis e podeis ficar com o que sobejar.
O homem mandou-o guardar as moedinhas que apelidou de cascalho rafeiro e exigiu-lhe 5 aéreos por uma normal e 10 no caso das salmonadas.
O de Massamá ficou confundido com isso dos aéreos e iniciou longa arenga.
Palavra puxa palavra e acabaram quase amigos; como o Donatário não tinha senão marvedis, até conseguiu sair com um peixe à borla.
Não era um exemplar impressionante mas pelo menos assim não ia aparecer à sua Moura de mãos a abanar.
E no fim de contas tratava-se da especialidade da terra!

Violência Doméstica - III

Pede-nos o Marquês para informar que durante os seus 5 anos de ausência foi visitado por diversas vezes pela Marquesa.
Dissipam-se assim alguns pensamentos maliciosos que chegaram aos ouvidos dos Marqueses.

O futuro energético do planeta

Gostava de propor a todos um tema bem interessante para discussão: o futuro energético do planeta.
Todos sabemos que as reservas de petróleo não duram muito mais e por isso é preciso encontrar alternativas aos combustíveis fósseis.
A maior parte dos óleos feitos à base de sementes podem ser transformado muito facilmente em biodiesel, o que os torna numa interessante fonte de energia renovável.
No entanto alguns espíritos mais críticos consideram que o biodiesel não é a solução para o problema porque a sua queima resulta em emissões de CO2 o que é tão gravoso para o efeito de estufa como o uso de petróleo ou carvão.
Nesse sentido, a energia nuclear aparece como uma alternativa mais inócua, isto se descontarmos o problema de ninguém saber o que fazer aos respectivos resíduos. Em princípio podem-se enterrar com umas quantas toneladas de betão em cima mas nada é garantido.
De qualquer forma esta linha de raciocínio já levou a que alguém dissesse que o Al Gore pertencia ao lóbi das centrais nucleares. O que vos parece?

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Violência Doméstica - II

O Marquês do Rego nunca o adimitiu em público mas a verdade é que já foi vítima de maus tratos no aconchego do lar.
Quando a altas horas da noite, já deitado, ouvia chegar a Marquesa toldada pelo excesso de alcóol, sabia que a noite acabaria de forma trágica.
Em certo momento, decidiu abandonar tudo e partir em busca do desconhecido.
Durante mais de 5 anos vagueou pelo mundo sem eira nem beira até que um dia resolveu voltar para conhecer os filhos.

Ainda as malinhas da Viscondessa...

Em matéria de malinhas, a Vicondessa está realmente muito além do Marquês do Rego e da comum das mortais. Apresentamos aqui dois dos seus exemplares mais emblemáticos:
À direita uma fantástica Louis Buiton em acrílico flácido e couro da Tchéchénia, edição exclusiva numerada que ganhou o 2º prémio internacional de design de Estarreja.
À esquerda vemos uma Dulce & Bacana em pele de piolho dos andes, com aplicações em P-X Back, desenhada em parceria com Pinifarinha.
Claro que a Viscondessa não olha a custos quando compra estas peças num dos locais mais in da capital. No entanto, se estiveram interessados em adquiri-las à mesma marroquinqria mas a preço mais acessível, sugerimos que se desloquem a Paio Pires que é onde o Lelo e os filhos têm o seu armazém.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

O Visconde da Ponta Delgada mudou-se para o quarto da criada

Não, não se trata de uma traição à Viscondessa. Trata-se apenas de mais uma vítima da guerra das malinhas. De facto, como já aqui foi referido, o brio da Viscondessa tem vindo a ser posto à prova por um conjunto de energúmeros que, com denotada desfaçatez, têm competido pelo título de “A malinha mais catita”. Como já o fez notar, a Viscondessa considera que esse título nem deveria estar a concurso, sendo ela a detentora natural, pelo menos, do 1º, do 2º e do 3º lugar de qualquer ranking que seja feito.
Irritada, dirigiu-se à tenda da sua fornecedora de malinhas e fez um reforço da encomenda mensal.
O problema foi quando o carregamento chegou, e a Viscondessa percebeu a necessidade de alargamento do, como ela lhe costuma chamar, "altar das malas". Triste, olhou para as suas novas malinhas e também para o Visconde.
O Visconde teve ordem de marcha imediata. O espaço que ele ocupava no quarto era necessário.
Esta situação criou naturalmente um grande embaraço ao Visconde. Apesar da forma contida como tem vivido a situação, num acontecimento social recente em que esteve presente, escapou-lhe um desabafo:
- A minha casa está uma grande confusão ! Estamos a montar um roupeiro e a mudar umas coisas ...

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Comendador foi à do Cidadão de Fountain Bridge

O Comendador passou a noite na casa do Cidadão de Fountain Bridge. Desconhece-se o motivo, nem tampouco se, a ter havido alguma refeição, o Cidadão terá servido a habitual feijoada.
Apenas se sabe que ontem chegaram a hora bastante tardia, depois de, alegadamente, terem concluído com sucesso uma missão de elevada complexidade.
Já passava das 14 horas de hoje quando o comendador abandonou a casa do Cidadão, em silêncio e sem indícios de indisposição alimentar.
O que terá motivado este encontro ? Que assuntos terão sido tratados ?
Apela-se a quem tenha mais informações que as partilhe com a nossa comunidade.

O Duque, os leões e a Protecção Civil

O Duque de Alvalade está de volta à capital.
Depois da tentativa gorada de se juntar ao Bétis – que falhou devido a evidentes dificuldades de comunicação com os Andaluzes – o Duque convenceu-se que está mesmo condenado ao Sportinguismo para o resto da vida. Custa-lhe um bocado pois continua convencido da podridão do futebol em Portugal.
Este regresso saiu-lhe caro pois teve de mover todas as influências deste mundo prara convencer a imprensa para abrandar a publicação de fotos suas de àguia em punho.
Mesmo assim o assunto não está encerrado, por isso engendrou um plano para reabilitar a sua imagem junto dos media e da opinião pública. Para a coisa ser eficiente precisa de ter grande impacto e nada melhor que uma imagem forte para anular outra imagem forte. Assim, o Duque planeia ser retratado junto a um leão de verdade e isso significa ir ao local mais próximo onde estes felinos abundam, isto é o Jardim Zoológico.
A ideia é aproveitar o facto de o teleférico do Zoo passar por cima do espaço onde se exibem os leões para fazer uma entrada em grande com a comunicação social a assistir: o Duque desceria do teleférico em slide indo aterrar no centro da mini-savana que serve de jaula aos reis da selva.
É uma manobra arriscada e que exige preparação cuidadosa, por isso o Duque já entrou em fase de treinos. Esta noite aproveitou a escuridão e enquanto leões e tratadores dormiam, fez um ensaio nocturno da descida na mais absoluta clandestinidade.
Infelizmente os leões têm o sono leve e vêm bem no escuro por isso o Duque levou duas dentadas nas nádegas e de De nada lhe serviu gritar “Eu também sou leão!” porque os felinos, apesar de terem todos nascido no Zoo, são todos de origem Tanzaniana e por isso apenas compreendem a lingua suailí.
Para salvar o resto do corpo, o Duque teve de sair da jaula apressadamente, subindo pelo cabo de slide com uma destreza que ele nem suspeitava ter.
Foi resgatado hoje de manhã por uma equipa da protecção civil, após ter passado a noite no teleférico a tiritar de frio e pavor dos leõs que o olhavam fixamente 10 metros mais a baixo.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Violência Doméstica - 1

O Comendador veio a público apresentar o seu testemunho relativamente à violência doméstica. Aqui deixamos um extracto da sua entrevista ao Diário Azeiteiro.
CA- É importante que as pessoas que tenham passado por esta situação ultrapassem as inibições e ajudem a divulgar publicamente o problema e as soluções para o mesmo. Durante muitos anos sofri em silêncio até que tive a coragem de apresentar queixa às autoridades.
Instado a divulgar detalhes sobre a violência a que era sujeito pela Comendatriz, apontou o dedo a diversos utensílios de cozinha tais como colheres de pau e o proverbial rolo da massa que nas mãos da Comendatriz se tranformaram em instumentos de tortura.
CA-Eu sei que às vezes mereço porque sou desobediente mas ela exagerava chegou a deixar-me todo negrinho, por isso resolvi denunciá-la às autoridades.
DA-Foi portanto às autoridades e queixou-se que a sua esposa...
CA-Esposa não, porque não somos casados. É uma amiga.
DA-Queixou-se então à GNR que a amiga com quem coabita lhe batia, é isso?
CA-Nada disso, essa opção é muito morosa e exige papelada.
DA-Mas nesse caso qual é a solução?
CA-Eu optei pela ASAE e estou encantado com o serviço. É rápido e eficiente! Até algemaram a Comendatriz e apreenderam-lhe logo as armas de tortura. Ela apanhou cá um cagaço....
DA-Mas apresentou à ASAE uma queixa de violência doméstica?
CA-Eu? Não! Nem pensar. Apresentei queixa só das colheres de pau e do rolo da massa. São de madeira, não é higiénico...
Foi uma limpeza. Acabaram-se as nódoas negras e passei ser uma pessoa mais feliz e por isso até já me porto melhor e sou mais obediente.
Agora até acredito que um dia ela aceite casar comigo e tudo. A mim dava-me jeito porque pelo menos acabava-se o falatório, sabe como são os meios pequenos: tudo se sabe... é uma coscuvilhice pegada
...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

A Moura Hermínia

O Donatário continuava a arrastar seus provectos ossos pelos campos da Beira - sempre norteado pelo cume branco da Serra - enquanto divagava sobre os motivos que teriam levado a Moura Encatada até aos Montes Hermínios.
- É estranho, c’o a breca...Tenho em crer que se trata de terra mui agreste e que as gentes do meridiano se tornam enfermiças com os gelos da serra.
E dizia para si que se encontrasse sua Moura viva e de saúde nestes Montes Hermínios a levaria sem demora à Ermida mais próxima e a baptizaria segundo os costumes cristãos.
-Em homenagem à Serra vou baptizá-la com o nome de Hermínia que até é um belo nome, nome de fadista!

Foram-se as páraquedistas...

Como os extraterrestres nunca mais apareciam, no fim de semana passado a Nato acabou com o cerco a Azeitão; levantou os equipamentos NBQ que estavam em posse dos civis e foi para outras paragens. Os ufólogos, contudo, não arredam pé, o que até é bom para o comércio da terra.
O Comendador ficou, por um lado aliviado com o fim das restrições mas por outro lado muito triste porque já se tinha afeiçoado ao pelotão de infantaria aerotransportada holandesa que estava aquartelado nas adegas da Quinta.
Tratava-se de um pelotão maioritáriamente feminino (diga-se em abono da verdade) e por isso todas as noites - quando a Comendatriz dá dormia - ele saía pé ante pé e corria até às adegas onde passava horas infindáveis em tangos, pasodobles e rumbas com as robustas moçoilas que integravam o pelotão.
Enquanto via partir a tropa com uma lágrima ao canto do olho, o Comendador vislumbrou um estranho letreiro pintado no muro da quinta.
Aquilo não era àrabe nem chinês nem russo. Parecia mesmo...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Foto do trimestre

1. Elegância............................................... 2.Dito............................... 3.Mijinha............

O Maioral regressou a Azeitão

O Comendador tirou as trancas e abriu a porta com cuidado. Nos dias que correm todo o cuidado é pouco pois nunca se sabe do que são capazes os seus contestatários ou mesmo os extraterrestres.
Era uma pequena equipa do Corpo de Intervenção que transportava o Maioral debaixo dos seus escudos. Entraram de rompante na Quinta Comenda debaixo de um coro de assobios e apupos de uma pequena multidão de manifestantes que berravam a favor dos direitos dos animais e contra a tourada. Tomates e ovos voavam pelos ares.
-Finalmente chegamos. Deu um trabalhão, disse o sub-chefe limpando a testa, em Lisboa iam-no matando, até lhe puseram um cartaz ao pescoço a dizer “Eu maltrato animais”.
O Comentador espantou-se pois pensava que na realidade a pega em pontas tinha sido totalmente inofensiva para o touro.
-Isso pensa você. O animal teve um ataque de histeria hilariante de tal magnitude que lhe provocou um enfarte. Foi levado pelo INEM e está em estado crítico… todos acham que a culpa é do seu funcionário.
O Maioral não se defendia das acusações. Estava em estado catatónico, certamente devido ao peso na consciência.

Meditação (Take One)

Há quem afirme o contrário, mas eis uma prova cabal de que o o Cidadão é verdadeiramente um pensador.
Hei-lo apanhado imerso em meditação profunda, um autêntico filósofo, não é não só pensador mas também um cidadão preocupado, sim, porque o Cidadão preocupa-se, com as consequências d'O aquecimento global e o efeito de estufa na produção de conhaque de broculo, ou em como O financiamento da Segurança Social em 2030 afectará a apanha da azeitona nas costas da Antártida.
E consta que medita frequentemente, não é como outros que somente precisam que o Sol se ponha para meditar, não senhor, o Cidadão medita em qualquer altura...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

O Comendador e os Balcãs

O Comendador está amuado por não ter sido convidado para a festa da independência do Kosovo. Dói-lhe a alma ver aquela gente dos Balcãs a praticar o folclore tradicional da terra sem ter a presença de alguém com a sua liderança e expertise em coreografias para os guiar nas danças e cantares.
Recordamos que o nosso líder tem tido uma voz muito activa e respeitada na questão kosovar, sendo responsável pelo plano de e-dependência que muitos consideravam alternativa mais viável que a independência do território. Este plano ficou também conhecido como de Plano Dam Herdda, nome por que era referido por por diversos líderes internacionais.
A única coisa que o anima é que, após o Kosovo, abrem-se portas à independência de muitos outros territórios: Abkassia, Ossétia do Sul, Escócia, País Basco, Catalunha, Galiza, Escócia, Ilhas Faroé, República Sérvia da Bósnia, Flandres, Córsega, Tchetchénia, R.T. do Norte de Chipre... e mais uns quantos.
Se pelo menos metade destes territórios ascenderem mesmo à independência, o que é bem possível, o Comendador já tem festarolas para uns bons meses - assumindo que é convidado, o que na realidade não é 100% garantido.
De todos, o que mais lhe agradaria era sem dúvida o País Basco porque isso lhe permitia voltar a Bilbau, cidade que classifica como apaixonante devido ao Gugenheim e à pitoresca infraestrutura industrial.

Cidadão de Fountain Bridge desmaiou após quebra de tensão



O Cidadão de Fountain Bridge não resistiu às contrariedades sentidas nos últimos tempos e teve uma quebra de tensão, acabando por desmaiar. Na fotografia vemo-lo no centro de saúde de Fountain Bridge, a ser assistido pela equipa do INEM que o tenta reanimar.

Em prol do decoro e da elevação

É a primeira vez que participo nestas andanças dos blogs e por isso gostava de começar por sugerir que os outros participantes tivessem um pouco mais de seriedade e escrevessem coisas realmente importantes.
Parece-me uma tolice que gente com idade para ter juízo ande a perder o seu tempo a escrever histórias da carochinha com personagens com títulos aristocráticos ridículos que todos sabemos serem falsos. E no resto do tempo divertem-se a fazer insinuações brejeiras sobre as orientações sexuais alheias...
Porque é que não discutimos algo de sério, por exemplo:
-O aquecimento global e o efeito de estufa.
-O financiamento da Segurança Social em 2030
-O Estado da Justiça em Portugal
Pensem nisso, vão ver que são capazes.

Nota: para a próxima prometo que já ponho uma fotografia, por enquanto ainda não percebi bem como funciona.

Conspiração - Quem anda a tramar o Comendador?

A liderança do Comendador está a ser contestada.
Primeiro, os dissidentes moviam-se na sombra e apenas insinuavam o seu descontentamento ou melhor dizendo a sua inveja e cobiça. Depois passaram a proferir publicamente e sem vergonha diversas expressões críticas, sempre sob o manto cobarde da metáfora e da ironia como é próprio de seres vis e mesquinhos.
E o Comendador foi sempre engolindo com altivez as muitas afrontas recebidas:
Foi acusado de não ter mão no Ervilha nem na Comendatriz, possivelmente devido à fragilidade da sua situação familiar - entenda-se reles mancebia.
Questionaram o facto de o nosso líder se ter ausentado de Azeitão em plena crise dos extraterrestres para participar no jantar de S.Valentim.
Rebaixaram-no por não conseguir ser nomeado para Administrador do BCP e chamaram-no mesmo frouxo por não ter ido avante com a OPA sobre o Arquipélago de Tristão da Cunha.
Mas pior que tudo isso... por vezes, ignoraram-no. E isso ele não perdoa.
Não perdoa mesmo e por isso resolveu iniciar uma purga ao melhor estilo estalinista, retirando todos os títulos aos dissidentes e banindo-os de Azeitão por um período de 10 anos.
Contudo, os críticos já perderam a vergonha e por isso preparam à descarada e e sem qualquer pudor um autêntico contra-golpe para destituir a liderança azeiteira e instituir um duovirato.

Ainda as malinhas

O Cidadão de Fountain Bridge enviou-nos esta fotografia, solicitando que seja considerada a sua candidatura à eleição do "Detentor da malinha mais catita".

Reunido o juri sob a presidência do nossa Comendatriz, deliberou não qualificar a malinha aqui apresentada dado considerar que não tem nem a visibilidade nem a elegância das outras malinhas já apresentadas a concurso. O juri ficou no entanto impressionado com a pose atlética e o carácter único da protuberância abdmominal, pelo que decidiu admiti-lo a concurso na categoria "Barriguinhas".

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Campo Pequeno - o que realmente aconteceu!

O touro travara a fundo. O seu cérebero simples estava baralhado e não era para menos.

Hesitou durante um segundo e de seguida atirou-se para o chão rindo a bandeiras despregadas.

À sua frente, Marto ainda esperava a investida do touro para fazer a pega... em pontas!

A Ufologia está ao rubro

Os alienígenas andam mesmo por aí. Escondem-se em dimensões que desconhecemos e conseguem deslocar-se invisíveis ao olho humano.
Os cientistas pensam que são oriundos de um planeta localizado na Constelação de Cachupeia e que vieram à Terra em busca de recursos vitais que se terão esgotado no seu planeta, possivelmente carcódia de pinheiro e Moscatel de Setúbal que se sabe serem essenciais para algumas civilizações.
Desde que as primeiras descrições e imagens dos extraterestres começaram a ser divulgadas na imprensa, os pretensos avistamentos de extraterrestres e Ovnis dispararam em todo o país.
De imediato começaram a chegar numerosos adeptos da Ufologia vindos de todo o mundo, o que levou a uma enchente na hotelaria superior ao Euro 2004.
Foi de imediato editado um pequeno catálogo com a tipologia das naves e dos seres de outros planetas observados em Portugal para facilitar a identificação por parte dos Ufólogos amadores.
A maior parte destes apaixonados dos Ovnis está a aproveitar para conjugar a observação de aliens com uns banhos de sol na praia do Meco... mas sempre de catálogo em punho, não vão eles aparecer quando menos se espera!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Campo Pequeno, o epílogo

O touro arrancara a toda a velocidade, deslocando meia tonelada de força bruta letal. Os afiados cornos, em pontas, sulcavam o ar a uma velocidade crescente, apontados à pança do Maioral.
O héli do INEM estava agora na vertical da praça, pairando a cerca de 100 metros do solo e a equipa médica já colocara os arneses e as mochilas com os kits de sobrevivência assistida. Estavam agora prontos para descer em slide assim que a tragédia se consumasse.
Barrica juntara-se às beatas admiradoras que agora estavam em conveniente silêncio sepulcral.
A baba voava e as bandarilhas saltavam e batiam no lombo da fera taurina que corria agora à velocidade máxima em direcção a Marto.
O Maioral aguentou firme sem recuar perante a investida do touro, até que subitamente - a menos de dez passos do encaixe - o animal cravou os cascos no solo, travando a fundo enquanto a sua cara se contorcia num esgar patético.

Cidadão de Fountain Bridge e as fardas

Acordou com uma ideia luminosa (sim porque a lâmpada do quarto estava fundida e o bricolage não era o seu forte). Se o título de nobreza não estava ao seu alcance, sempre podia tentar a patente militar.
Sempre sentira uma grande atracção por fardas. Ele próprio vestido com traje de gala, cheio de condecorações por nobres feitos, objecto da cobiça das mulheres e inveja dos homens (ou vice versa), era uma ideia que lhe agradava.
Apresentou-se cedo no Centro de Recrutamento de Lisboa devidamente trajado para impressionar. O funcionário que o atendeu olhava para ele como se o conhecesse.
No entusiasmo que a ideia matinal lhe causou, esquecera-se do episódio de juventude tardia em que falsificara uma missiva para entalar um amigo que ele sempre considerara vanguardista. Sobre ele gostava de dizer “É muito moderno ! Inicia-se nos novos caminhos sempre pelo menos dois anos antes de mim...”
Chamado à responsabilidade, acabara por cumprir tempo completo de serviço desterrado numa ilha atlântica, apesar da sua frágil compleição física da altura e do seu pé plano flexível.
Invocando ter deixado o almoço ao lume, abandonou rapidamente as instalações e também mais um plano frustrado. A sua vida pode ainda não ser longa mas já deixou demasiado lastro ...
Estava na hora de partir para novas paragens.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Dia de S. Valentim

Como habitualmente sucede nesta data, o Comendador jantou hoje com o Marquês do Rego. Este ano coube ao Marquês fazer de anfitrião.
Desta vez o nosso líder teve de evitar as patrulhas da Nato que guardam a vila de Azeitão, arriscando-se mesmo a ser baleado ao passar os limites do perímetro de segurança. Mas como sabemos, ele estaria disposto a correr todos os riscos para estar neste jantar.
À hora a que escrevemos, o repasto ainda decorre por isso desejamos a maiores felicidades para o mesmo.

Campo Pequeno, drama em directo

Fez-se um silêncio sepulcral no Campo Pequeno.
Após dedicar a sua primeira pega em pontas à Barrica, Marto caminhou lentamente sobre o chão arenoso da praça até chegar a meio caminho entre a barreira e o centro da arena.
Confirmou a correcta localização do primeiro-ajuda e enfiou o barrete até às orelhas.
Ao longe, o touro ainda não dera conta da sua presença. Arfava e contemplava os camarotes com as pontas dos cornos brilhantes e bem afiadas, reluzindo ao sol e uma abudante baba a escorrer aos cantos da boca.
Nos céus, começou-se então a ouvir o ruído distante mas crescente de um hélicópetro do INEM que descolara de Santa Maria com uma equipa de reanimação completa a bordo.
A TVI e a SIC entraram em directo nesse instante, interrompendo a programação habitual. Pela primeira vez desde há anos a tourada voltava a ter protagonismo na TV, muito à custa da perspectiva de muito sangue, tripas dilaceradas e da emoção única que era uma morte em directo no ecrã.
Eh toiro! - berrou o Maioral de mãos na cintura.
O animal virou-se lentamente de olhos esbugalhados e avançou o quarto dianteiro esquerdo, enquanto o casco direito raspava nervosamente no solo.
Na bancada, diversas admiradoras de Marto, banhadas em lágrimas, começaram a rezar uma Salve-rainha em surdina.
E o Touro arrancou com toda a potência em direcção ao Maioral.
Agora, só um milagre o salvaria...

Um risco mal calculado

- Estou, por favor venham rápido é uma emergência – vociferou o cidadão de Fountain Bridge em tom alarmado em chamada para o 112.

Ainda não havia passado muito tempo sobre o início de refeição e a Duquesa das Berlengas começou a ficar corada e com falta de ar. O que se passa é que a velha tinha um grave problema de colesterol. O gordurento repasto de que o cidadão de Fountain Bridge tanto se orgulhava, foi a gota de colesterol que fez transbordar o seu frágil equilíbrio.

Com profundo desalento, o cidadão de Fountain Bridge viu o seu título partir de ambulância, não sem antes ter ouvido da boca da sua mais recente musa:

- Desculpe, você é um querido, mas já não tenho idade para uma relação tão spicy ...

Inédito - o momento que mudou a vida do Duque de Alvalade

Alguém lhe voltou a pôr à frente dos olhos aquelas fatídicas imagens.
O Duque acabava de escapar à fúria dos seus próprios correligionários mas não conseguia fugir a este pesadelo que o atormentava desde aquela noite Primaverial em 2005.
A sequência do lance repetia-se vezes sem conta perante os seus olhos... como é que é possível? Como é que isto pode ser... O futebol está podre!

As malinhas do Marquês do Rego - 5 e 6

O Marquês do Rego não pára de nos surpreender com as suas malinhas.
À esquerda, divulgamos uma das suas preferidas que ele trata carinhosamente por sac-a-dos. Vê-mo-lo aqui em meados de 2007, numa pose que lhe é muito característica.
À direita, recordamos aquela vez em que o encontrámos com um belo “necessaire” em cores garridas que faria as delicias de qualquer funcionário da Robialac.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Os alienígenas em Azeitão

É difícil de descrever o estado das coisas em Azeitão.
As ruas estão maioritáriamente desertas, a população esconde-se em caves e sotãos, esperando passar despercebida no caso de os alienígenas entrarem nas suas habitações. Por sorte, uma parte significativa da população está para Lisboa, mais exactamente no Campo Pequeno onde foi ver a actuação dor forcados da terra capitaneados por Marto, Maioral da Quinta da Comenda.
Na Vila, as tropas da NATO ocuparam posições estratégicas. No caso da Quinta da Comenda, um pelotão de pára-quedistas polacos está a proteger a zona das cavalariças e currais porque se diz que os extra-terrestres costumam sugar o sangue dos maméferos terráqueos. No belo alpendre onde os Comendadores costumam organizar fautuosos banquetes instalaram-se 2 peças de 14 mm e 2 morteiros do destacamento de artilharia norueguesa.
Os equipamentos NBQ estão a ser distribuídos à população por uma unidade italiana desta especialidade. Trata-se de peças desenvolvidas em Milão e por isso são realmente muito fashion, o que agradou sobremaneira aos Comendadores. O nosso líder só não gostou muito das cores claras da correia da máscara porque não condizem com com o verde azeitona dos atacadores das botas mas de resto achou tudo irrepreensível.
No centro de Azeitão foram instalados um hospital de campanha canadiano e um refeitório alemão destinado a alimentar toda a população em regime de self-service, uma vez que todas as lojas estão fechadas. Está fácil de ver que andam todos a comer salcichas, o que não seria grave se o Comendador se ajeitasse a grelhá-las...
Mas a parte mais difícil é a incerteza e a angústia que todos sentem ao pensar que a qualquer momento poderão ser atacados pelos extraterrestres. O próprio Ervilha anda num grande estado de ansiedade a que não será alheio o fato de não se ter adaptado muito bem à fatiota que lhe arrajaram.

A luz ao fundo do corredor dos artigos de higiene pessoal

O cidadão de Fountain Bridge estava animado. Depois de tantas manhãs perdidas no arquivo central, o seu objectivo poderia agora concretizar-se. Tudo dependia de convencer a velha a deixar-lhe o título em herança.

Conhecera-a numa superfície comercial, no corredor dos artigos de higiene pessoal. Ela tinha tanto de pose como de peso. Mostrou interesse por umas fraldas de incontinência, e ele solícito (mas não desinteressado) correra a explicar-lhe tudo aquilo que sabia sobre o tema. E era muito... Falou-lhe sobre a qualidade dos materiais, mostrou-lhe o material absorvente fazendo de seguida o teste do copo de água, mostrou a resistência das bandas para evidenciar a segurança do material. Ela achou-o simpático, sem nunca perceber que ele se encontrava no local como representante da marca.

Palavra puxa palavra, ele acabou por perceber que ela era Duquesa das Berlengas, última herdeira do título, viúva e (percebia-se) carente de atenção.

A hora da refeição estava próxima, e o cidadão de Foutain Bridge decidiu seduzi-la invocando os seus dotes culinários. Desafiou-a para uma refeição cuja receita exclusiva da sua autoria ele muito se orgulhava: feijoada esturgida na gordura dos enchidos à Fountain Bridge acompanhada de refresco de groselha preparado com água de Caneças.

Ela aceitou com um sorriso guloso e com um traço de volúpia no olhar.

Campo Pequeno, a hora da verdade

No Campo Pequeno, o Maioral via chegada a hora tão desejada. Compôs o barrete verde, apertou a jaqueta garrida e puxou as meias para os joelhos.
No sector sombra 4, a sua fiel Barrica observava atentamente estes preparativos e Marto acenou-lhe com confiança.
Enquanto ouvia o “inteligente” tocar no trompete a música que habitualmente anuncia o salto dos forcados para a arena, o Maioral observou mais uma vez o touro. Teria perto dos 500 kgs e era de pelagem completamente negra como é mais comum nestes animais; podia-se ver à distância que os seus olhos destilavam um raiva assassina - o que não era surpreendente uma vez que tinha o lombo crivado de bandarilhas das mais diversas cores.
Foi então que o director de corrida gritou ao Maioral: Oh Marto, tu ainda te matas rapaz, olha que estás a tempo de desistir.
O Maioral cuspiu para o chão, atirou a beata de Português Suave para a porta dos curros, virou-se lentamente e respondeu: É em pontas, já lhe disse!
E saltou a barreira deitando um olhar de desprezo ao director de corrida.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Duque, o Donatário e a pochette da Moura...

Cenas do último episódio:
O Duque de Alvalade fugira de Portugal após ter sido publicada na comunicação social a sua foto com a águia Vitória.
Deambulando por Espanha, encontrou o Capitão de Massamá que peregrinava pelo mundo em busca da sua Moura Encantada - de quem se perdera numa tempestade junto ao Sinai.
À porta do Alhambra, o Donatário, lavado em lágrimas, ia explicar ao Duque que apenas guardava da Moura uma pequena pochette da qual nunca se separava.
Foi nesse momento que surgiu a multidão enraivecida gritando bem alto:
“Duque é lampião, porrada é solução!”
Neste episódio, o Duque pede o chapéu e o sabre emprestados ao capitão-donatário e faz-se de homem-estátua, o que lhe permite escapar incólume à passagem da claque do lagartame. Mesmo assim os energúmenos ainda lhe fizeram uns graffiti na partes baixas.
Cenas do próximo episódio:
O Capitão-Donatário dirige-se aos Montes Hermínios em busca da Moura Encantada, brandindo a sua pochette para poder ser reconhecido ao longe.
O Duque inicia contactos com o Bétis de Sevilha, no sentido de se fazer sócio honorário com direito a golden share.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Photo memories 5 - Machos na Escandinávia

Por vezes este espaço é acusado de apenas ter lugar para o sarcasmo fácil, mas quem o conhece bem sabe que não é assim.
Aqui temos um belo exemplo do contrário: uma fantástica foto do Comendador de Azeitão, do Visconde da Ponta Delgada e do Duque de Alvalade passeando ao luar numa cidade da Escandinávia.
Ora, se isto fosse um blog onde se recorresse à piada fácil, certamente que a foto teria um título bem diferente, do tipo "Trio Romântico na Veneza do Norte" ou mesmo "Lua de mel gay a três".
Mas o superior nível intelectual deste espaço ditou um título bem mais frugal.

Última Hora: cidadão de Fountain Bridge aclamado

Cidadão de Fountain Bridge acaba de regressar da sua nano temporada de sky onde foi aclamado como campeão mundial de uma nova modalidade desportiva: o Tombo Sky.
De facto os especialistas presentes na estância de Beurre Fouetté foram unânimes em considerar o desempenho do cidadão como exemplar, nesta rara e pouco conhecida modalidade.
Fontes próximas confidenciaram-nos que esta nano temporada não foi mais que um estágio de preparação para novos e mais difíceis provas a enfrentar no próximo mês nos Pirinéus Aragoneses.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Festa foi animada

Convocada sob o signo de Festa de comemoração do aniversário de nascimento do Rei D. Afonso IV e de outros cidadãos ilustres

convocou assim a festa, dado que ele temia que se os concidadãos soubessem que a festa lhe era destinada não aparecessem. Procurou na Wikipedia que outros acontecimentos se comemoravam nesse dia. Ainda hesitou se não deveria nomear Júlio Verne, mas pareceu-lhe que esse nunca tinha tido um título ...

a festa de aniversário do cidadão de Fountain Bridge ficou nos anais (!!) da história da localidade.

Iniciou-se com a actuação da banda dos bombeiros, a que se seguiu uma grande jantarada de feijoada (preparada pelo próprio cidadão segundo a sua receita) acompanhada de grandes quantidades de refresco de groselha preparada com água de Caneças (sua bebida preferida).

Os sobreviventes ao jantar assistiram a um espectáculo de variedades com artistas de renome que há muito não se reuniam no mesmo palco, com destaque para Aurora Brava, Quim Costa, e, face à indisponibilidade do Domingos de Páscoa, André que interpretou na sua concertina a sua consagrada versão do grande êxito de Jorge FerreiraO Carro Preto”.

O cidadão de Fountain Bridge acabou por abandonar a festa um pouco prematuramente, na altura em que se iniciava o espectáculo de strip tease que os seus amigos contrataram para ver se o animavam. No seu rosto notava-se alguma repulsa e invocou que tinha de partir urgentemente para a estância de sky Beurre Fouetté em França.

As malinhas e as pochettes

Esta questão das malinhas está a adquirir proporções alarmantes.
Estamos em condições de garantir que o próprio capitão-donatário de Massamá já foi flagrado com uma pochette durante um momento de lazer em zona de alta montanha.
Infelizmente não dispomos de imagens mas diversas testemunhas independentes poderão atestar o facto.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Direito de resposta

Ao abrigo do direito de resposta, publicamos a seguinte missiva da Viscondessa da Ponta Delgada:

Vilar das Tias, 7 de Fevereiro de 2008
Caros Srs.
Foi com total incredulidade que li os textos de um tal “Indefectível” sobre a malinhas do Marquês do Rego que creio pecarem por grosseira omissão.
De facto, é indesculpável a total ausência de menção à minha pessoa e à minha vasta colecção de carteiras de senhora dos mais variados feitios, cores e materiais.
É inegável que o Marquês do Rego tem realmente uma predilecção por estes acessórios de toilette feminina e que dispõe de uma colecção razoável das mesmas. Sei-o porque nos encontramos frequentemente nas lojas da especialidade que ambos frequentamos.
Contudo, a exclusividade e o destaque dados ao Marquês neste espaço, constituem algo do mais tendencioso e ofensivo que já vi.
Atentamente,
A Viscondessa

A peregrinação do Donatário - VII

Confidenciou o Duque ao Capitão-donatário que se encontrava foragido das terras portuguesas por mor das imagens de sua pessoa mais a ave de rapina.
Tive de dar à sola porque a coisa ‘táva preta. Os da claque viraram-me a roulote de pernas ao ar e espalharam os couratos todos e a maior parte das bifanas. Ficou tudo a boiar em óleo Fula já usado. É claro que perdi de imediato o inquilino porque as pessoas não estão para se sujeitar a estas coisas.”
Surpeeendeu-se o Capitão com os desacatos causados por um simples jogo de péla que em seu entendimento nem era actividade interessante. Se fosse uma rija peleja com sarracenos... Isso sim! Ou pelo menos uma justa que é folguedo próprio d’homens! – achava o donatário.
Explicou depois o Duque que a claque fizera saber que quando houvesse vista do Duque o sujeitaria a capação imediata e a sangue frio. Por isso, ele cuidara mais avisado homiziar-se de livre vontade com sua família.
“Estamos sempre em movimento para não sermos detectados, mesmo em Espanha! Amanhã dormimos em Valência e lá para terça-feira já devemos estar em França onde pensamos establecer domicílio. Provavelmente vou criar lá uma Presidência provisória no exilio até ter condições para limpar a minha imagem e tomar o poder no Sporting.”
Estavam em esta conversa quando uma turba enfurecidade surgiu ao fundo da rua gritando “Duque é lampião, porrada é solução”

Hoje é dia de festa em Fountain Bridge

Hoje, espera-se festa rija em Fountain Bridge. O seu cidadão com pretensões a mais ilustre, faz anos. Quanto ao cidadão propriamente dito, o dia é de alegria mas também de tristeza. Se por um lado, com o passar do tempo, vai adquirindo alguma senioridade, a verdade é que passou mais um ano e continuou infrutífera a sua busca pelo título perdido.
De fonte próxima, soubemos que ao acordar, o cidadão formulou um objectivo para os seus 43 anos: “dê para onde der, hei-de ter um título antes da capicua !”.
Soubemos também que na procura da projecção social, preparou para si próprio festa surpresa de arromba.
Enquanto aguardamos novas do nosso enviado especial a Fountain Bridge, desejamos um dia feliz ao cidadão e o maior sucesso na concretização dos seus desígnios.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

As malinhas do Marquês do Rego - 4

Directamente de Londres. À atenção do Marquês do Rego:



Extraterrestres em Azeitão

O Comendador jura que viu. A Comendatriz fotografou e as imagens são bastante explícitas, não deixando margem para dúvidas: são mesmo extraterrestres e tudo leva a crer que pretendam colonizar a região pois mandaram seres que aparentam ser de ambos os sexos, o que só pode ser para fazer criação.
O Ervilha ficou de tal forma transtornado que chegaram a temer que ele estivesse com uma trombose. Felizmente já se restableceu.
A NASA, mal soube, instalou-se de armas e bagagens em Azeitão, trazendo todo o tipo de artefactos de alta tecnologia e a própria NATO já mandou tropas de operações especiais preparadas para ambientes NBQ (Nuclear-Biológico-Químico) que patrulha as ruas da vila.
Os habitantes têm agora de usar protecções semelhantes sempre que sairem à rua e estão proibidos de sair de um perímetro de segurança com raio de 5 km para evitar qualquer contágio.
O Comendador já decretou o estado de sítio na Quinta mas a Comendatriz recusa-se a cumprir a parte do recolher obrigatório.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

A peregrinação do Donatário - VI

Já as trevas anunciavam sua partida e os raios de Febo se vislumbravam no horizonte quando o Capitão-donatário de Massamá se fez anunciar junto às portas cerradas do Palácio Mouro:
-Sou o Capitão-donatário de Massamá e viajo por ordem de Sua Enormidade o Comendador de Azeitão. Busco minha Moura encantada que me disseram estar acoitada neste Paço.
Como não houve outra resposta que não o silêncio, o Capitão insistiu, dando punhadas na porta. Pouco tempo volvido, um velho recém desperto e amofinado assomou a uma ameia e berrou:
-Que quieres animal, non ves que non estamos abiertos? Comprate billete y vuelve a otra hora.
-Não me ofendais com vosso linguarejar pois sou cavaleiro e poderei pedir-vos explicações - dizia o Capitão com a mão no punho do sabre – Dai-me a minha moura encatada, muy depressita, vale?
Enquanto esperava resposta do velho, parou a seu lado um carro donde lhe veio uma voz conhecida:
-Bionas nioches, es aqui qui si compria los billetes para el Alhambra?
E apesar do bigode e cabeleira postiços, o capitão reconheceu de imediato o Duque de Alvalade…

Sultaninha de Al-Khains

Como já deve ser do conhecimento geral, os sultões de Al-Kahins comunicaram novo crescimento do agregado familiar.
O novo rebento, que foi acolhido com grandes festejos em todo o sultanato e adjacências, é uma sultaninha cujo nome não poderemos propiciar-vos neste espaço por não dispôrmos de caracteres árabes.
O Sultão, homem pragmático, anda neste momento em grande azáfama pelos diversos souks e khasbas do Golfo Pérsico, procurando o que mais falta lhe faz neste momento: um camelo de 6 bossas para poder transportar convenientemente toda a família.