O cidadão de Fountain Bridge estava animado. Depois de tantas manhãs perdidas no arquivo central, o seu objectivo poderia agora concretizar-se. Tudo dependia de convencer a velha a deixar-lhe o título em herança.Conhecera-a numa superfície comercial, no corredor dos artigos de higiene pessoal. Ela tinha tanto de pose como de peso. Mostrou interesse por umas fraldas de incontinência, e ele solícito (mas não desinteressado) correra a explicar-lhe tudo aquilo que sabia sobre o tema. E era muito... Falou-lhe sobre a qualidade dos materiais, mostrou-lhe o material absorvente fazendo de seguida o teste do copo de água, mostrou a resistência das bandas para evidenciar a segurança do material. Ela achou-o simpático, sem nunca perceber que ele se encontrava no local como representante da marca.
Palavra puxa palavra, ele acabou por perceber que ela era Duquesa das Berlengas, última herdeira do título, viúva e (percebia-se) carente de atenção.
A hora da refeição estava próxima, e o cidadão de Foutain Bridge decidiu seduzi-la invocando os seus dotes culinários. Desafiou-a para uma refeição cuja receita exclusiva da sua autoria ele muito se orgulhava: feijoada esturgida na gordura dos enchidos à Fountain Bridge acompanhada de refresco de groselha preparado com água de Caneças.
Ela aceitou com um sorriso guloso e com um traço de volúpia no olhar.
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