No Campo Pequeno, o Maioral via chegada a hora tão desejada. Compôs o barrete verde, apertou a jaqueta garrida e puxou as meias para os joelhos.No sector sombra 4, a sua fiel Barrica observava atentamente estes preparativos e Marto acenou-lhe com confiança.
Enquanto ouvia o “inteligente” tocar no trompete a música que habitualmente anuncia o salto dos forcados para a arena, o Maioral observou mais uma vez o touro. Teria perto dos 500 kgs e era de pelagem completamente negra como é mais comum nestes animais; podia-se ver à distância que os seus olhos destilavam um raiva assassina - o que não era surpreendente uma vez que tinha o lombo crivado de bandarilhas das mais diversas cores.
Foi então que o director de corrida gritou ao Maioral: Oh Marto, tu ainda te matas rapaz, olha que estás a tempo de desistir.
O Maioral cuspiu para o chão, atirou a beata de Português Suave para a porta dos curros, virou-se lentamente e respondeu: É em pontas, já lhe disse!
E saltou a barreira deitando um olhar de desprezo ao director de corrida.
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