sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

A peregrinação do donatário - V

Quis a fortuna que o capitão-donatário chegasse por altura dos Reis ao Mar Arábico, viajando nas caravanas dos infiéis a troco de pequenos misteres, como era uso dos serviçais cafres.
Sem embargo, não houve vista da sua Moura nestas praias do Sinai, onde a perdera havia já duas luas por via da trágica tormenta que lhe sucedera.
Determinou pois o donatário daí se partir sem mais delongas, fazendo fé no que lhe iam dizendo as gentes destas terras.
E atravessou a Palestina e cruzou as montanhas do Líbano e em todos os povos e lugares lhe contavam sempre que sua Moura passara montando um jumento negro, seguindo sempre rumo ao setentrião.
E por muitos meses caminhou segundo aconselhava a voz das gentes, dormindo nas veredas e comendo do que na natureza encontrava ou de esmola dos naturais.
Após o Bósforo já a maior das vezes lhe apontavam para o ocaso. E ele determinou seguir o conselho destas gentes de estranhos costumes e falares desconhecidos.
Até que no dia de S.Martinho teve vista de um palácio de grande riqueza e esplendor que em altaneiro cerro guardava uma cidade moura.

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