sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Cidadão de Fountain Bridge e as fardas

Acordou com uma ideia luminosa (sim porque a lâmpada do quarto estava fundida e o bricolage não era o seu forte). Se o título de nobreza não estava ao seu alcance, sempre podia tentar a patente militar.
Sempre sentira uma grande atracção por fardas. Ele próprio vestido com traje de gala, cheio de condecorações por nobres feitos, objecto da cobiça das mulheres e inveja dos homens (ou vice versa), era uma ideia que lhe agradava.
Apresentou-se cedo no Centro de Recrutamento de Lisboa devidamente trajado para impressionar. O funcionário que o atendeu olhava para ele como se o conhecesse.
No entusiasmo que a ideia matinal lhe causou, esquecera-se do episódio de juventude tardia em que falsificara uma missiva para entalar um amigo que ele sempre considerara vanguardista. Sobre ele gostava de dizer “É muito moderno ! Inicia-se nos novos caminhos sempre pelo menos dois anos antes de mim...”
Chamado à responsabilidade, acabara por cumprir tempo completo de serviço desterrado numa ilha atlântica, apesar da sua frágil compleição física da altura e do seu pé plano flexível.
Invocando ter deixado o almoço ao lume, abandonou rapidamente as instalações e também mais um plano frustrado. A sua vida pode ainda não ser longa mas já deixou demasiado lastro ...
Estava na hora de partir para novas paragens.

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